PT do Rio decide permanecer no governo Garotinho
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domingo, 05 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 05 (AE) - A moderada Articulação conseguiu aprovar hoje à tarde, por 36 votos a sete, durante reunião do diretório regional do PT, resolução que determina a volta do partido ao governo Anthony Garotinho (PDT). A decisão derruba outra, do 18º Encontro Regional, de 24 de outubro, que obrigou a entrega dos cargos ocupados pelo partido no governo Garotinho. A resolução, costurada pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo próprio Garotinho, foi aprovada graças a acordo com o grupo Opção Popular, ligado ao presidente do PT do Rio, Carlos Santana.
Pela resolução, o partido continua no governo, mas, em troca, exige a criação do conselho político, formado por integrantes do PSB, PCdoB, PCB, além do PT e do PDT, que terá como objetivo discutir ações de governo. Segundo Garotinho, o conselho político será criado na terça-feira (07).
O documento decidiu ainda que o governador deverá promover discussões prévias com a bancada do PT na Assembléia Legislativa sobre projetos polêmicos e que toda a representação do partido no governo será "permanentemente" avaliada. Em janeiro de 2000
haverá uma nova reunião para discutir o primeiro ano do governo Garotinho.
Para Léo Lince, integrante da Refazendo, corrente que sempre se opôs à aliança com Garotinho, a decisão de hoje é uma espécie de "intervenção branca". "Lula é o responsável pelo pântano em que o PT do Rio está mergulhado", acusou. Segundo ele, a Refazendo vai estudar a possibilidade de entrar com recurso no Diretório Nacional do PT.
"O que aprovamos aqui foi a melhor maneira de nos mantermos na aliança", disse Santana. A mudança de tom do presidente do PT fluminense, que foi um dos artífices do rompimento aprovado no 18º Encontro, só ocorreu, de acordo com alguns de seus correligionários, depois que ele teve a garantia de que seus aliados poderiam voltar ao governo Garotinho. O ex-secretário de Transpostes Raul de Bonis, que na época foi exonerado pelo governador, já tem quase garantido seu retorno ao cargo.
O estopim que levou à decisão pelo rompimento foi a declaração de Garotinho de que o PT era o "partido da boquinha". Na ocasião, o governador explicou que não se referia a todo o partido, mas a uma parte dele - insinuando que estaria se referindo ao grupo de Santana, a quem Garotinho acusou de ter uma atitude dúbia e de ser um "Carlinhos-vai-com-as-outras".


