Rio, 22 (AE) - O PT fluminense deve aprovar amanhã (23) um ultimato ao governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT). A excutiva do partido deve condicionar sua permanência na administração a uma sinalização de que a política de respeito aos direitos humanos e de reforma das Polícia continuará, apesar da demissão do sociólogo Luiz Eduardo Soares da Coordenadoria de Segurança. Com isso, fica afastada a idéia de deixar o governo, que, porém, ainda não foi descartada.
A proposta de lançar um documento de cobrança dura foi aprovada hoje em reunião de lideranças da Articulação, corrente petista que controla oito dos 15 votos da executiva. No encontro
os petistas consideraram insuficientes as medidas tomadas pelo governador, que criou uma comissão para o caso. Um dos alvos dos petistas é o delegado Rafik Louzada, chefe da Polícia Civil, cuja demissão desejam como sinal de que a política de Soares vai continuar.
"O governador é que vai decidir se quer o PT ou não", disse o vice-presidente municipal do PT, William Campos. É possível que a nota, cuja minuta começou a ser preparada hoje por dirigentes da Articulação, reivindique explicitamente a demissão de Louzada, acusado de ligações com o Grupo Astra, formado por policiais civis considerados eficientes, mas adeptos de métodos violentos e acusados de crimes. Soares foi demitido após denunciar o grupo.
Segundo Campos, o PT não está discutindo se sai do governo ou não. "Garotinho vai ter que optar entre continuar com a política de segurança revolucionária ou se vai ser igual aos outros (governadores)", disse. Ele elogiou a bancada estadual do partido, que ontem (21) aprovou nota recomendando que o PT saia do governo, e disse que essa hipótese não está descartada. "Não estamos chorando por causa de cargos ou de boquinhas", declarou.
A mudança de posição da Articulação, considerada a mais governista das tendências petistas, tem também motivos internos. A vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, ligada ao grupo, disputará no próximo domingo uma prévia para escolher o candidato do partido à prefeitura carioca. Seu adversário é Vladimir Palmeira, do grupo Refazendo, que propõe a saída imediata do governo. A demissão de Soares tem sido usada por Palmeira contra Benedita.

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