São Paulo, 01 (AE) - A bancada governista da Câmara Municipal de São Paulo voltou a ameaçar o Partido dos Trabalhadores (PT), prometendo cassar o vereador e presidente do Diretório Municipal Vicente Cândido. A decisão foi tomada após um bate-boca na copa dos parlamentares, que tumultou a sessão na qual estava sendo avaliada a cassação do vereador José Izar (PFL) e quase terminou em agressão física.
O motivo da confusão foi a divulgação de um boletim com fotos de todos os vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido). "Só faço um comunicado informando que os governistas calaram a boca da oposição; não estou inventando nada", defendeu-se Cândido.
O vereador Wadih Mutran (PPB) disse que a Comissão Processante poderá ser aprovada na sessão de amanhã (02). "Podemos aprovar a Comissão Processante antes de discutir as CPIs, porque a pauta pode ser invertida com um pedido de preferência de votação", avaliou Mutran. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, estas comissões precisam de 28 votos para ser aprovadas. Tecnicamente, os governistas têm voto suficiente para aprovar a comissão.
Boletim - Os governistas reagiram à distribuição do folheto. "Foi quebra de decoro parlamentar; isso é guerra baixa e suja", acusou Myryam Athie (PMDB) ao deixar a copa, atrás do plenário. Uma das mais exaltadas com o anúncio da veiculação, Myryam disse que os situacionistas vão pedir a abertura de uma Comissão Processante contra Cândido. "Quem está financiando tudo isso? Não será a Câmara?", questionou Myryam. "Quebra de decoro não é só arrecadar propina; ele passou dos limites", completou.
A briga entre os vereadores foi ouvida do plenário e casou alvoroço. O vereador Edivaldo Estima saiu da copa gritando: "Palhaço. É um imbecil; não tenho nem palavras." Toninho Paiva (PFL) também estava muito irritado. "Ele já foi administrador regional e vamos investigá-lo", ameaçou. "Já cansamos dessa história do PT; eles devem ser oposição ao Executivo e não quebrar a ética entre os colegas." Para Toninho
quem está no cartaz deve tomar providências sérias. "Já está ficando insuportável; vamos paassar o rolo compressor."
Reincidência - Os governistas justificaram a reação argumentando que não é primeira vez que Cândido ataca diretamente todos os vereadors governistas. No primeiro semestre
o vereador e presidente do Diretório Municipal do PT distribuiu um outro cartaz com a foto, o telefone e o nome completo dos parlamentares que votaram contra a CPI.
O material, distribuído em toda a cidade, trazia a seguinte frase: "Estes vereadores envergonham São Paulo". Vários governistas, entre eles Miguel Colasuonno (PPB), rasgaram o cartaz em plenário. Na época, em resposta, o vereador Edivaldo Estima (PPB) apresentou um pedido de instauração de Comissão Processante contra Cândido. A alegação foi de que o vereador petista quebrou o decoro parlamentar. Os governistas também suspeitam de irregularidades que teriam sido cometidas por Cândido na Administração Regional da Capela do Socorro, cargo que o parlamentar ocupou durante a gestão de Luiza Erundina.
Vingar - As críticas e a raiva demonstradas contra Cândido têm como origem a divergência política com o PT. O "bloco" que dá sustentação política ao prefeito Celso Pitta (sem partido) na Câmara tenta, desde o início do ano, vingar-se do principal partido de oposição. Ao cassar um vereador do PT, os governistas acreditam que o jogo eleitoral estará empatado. Dessa forma, o próprio partido teria de mudar o anúncio que veiculou em emissoras de TV nos últimos dias. A propaganda informa que o PT é um partido diferente, porque brigou pela apuração das denúncias de irregularidades e aprovou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e não tem nenhum parlamentar envolvido em escândalos.
Defesa - Vicente Cândido defende-se, afirmando que não fez nada pejorativo. "Não estou inventando nada; é o que está na imprensa", afirmou. "Só espero que isso não altere a sessão de hoje", comentou Cândido, que tinha receios de que os governistas votassem contra a cassação de Izar como represália à oposição.

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