Rio, 13 (AE) - O PT fluminense deve aprovar no encontro estadual do partido, nos dias 23 e 24, um documento com críticas ao governador Anthony Garotinho (PDT), mais de um ano após a intevenção da direção nacional da legenda para obrigar os petistas do Rio a apoiar o PDT no Estado. Nos documentos, os petistas governistas exigem mudanças na postura supostamente "centralizadora" de Garotinho.
As críticas constam das teses registradas pelas duas correntes que somam 80% dos delegados, a Articulação e uma aliança de grupos de "centro", ambas com presença no governo - até mesmo secretários de Estado.
O PT, que tem quatro secretários, 12 subsecretários e cerca de 200 filiados no governo, chega, assim, ao ponto mais baixo no relacionamento com Garotinho. Não há possibilidade de rompimento, mas o tom das declarações dos principais líderes das correntes que dominam o partido no Estado mudou em relação ao passado recente, em que prevaleceu o "alinhamento automático". Agora, mesmo os chefes da Articulação, que exigiu a intervenção, repetem que não são funcionários do governo e que o apoio é político.
"Não estamos a qualquer preço no governo", disse um dos líderes da Articulação, o vice-presidente regional do PT, William Campos. Ele ressaltou que não há a menor possibilidade de rompimento com Garotinho no momento e que o grupo vê muitos pontos positivos na gestão do pedetista, mas criticou o governador. "Há um grau de centralização muito grande", disse Campos. Campos garantiu que a postura crítica não se deve à reforma administrativa iniciada pelo governador, que ameaça tirar cargos de petistas e, na semana passada, gerou as primeiras reclamações oficiais do PT a Garotinho.
A tese da Articulação, "Articular a Unidade do Campo Popular para Derrotar FHC e o Neoliberalismo", diz que o governador tem sido, por vezes, "excessivamente centralizador e personalista". No documento, o grupo reclama que o PT não conseguiu cargos no quarto e quinto escalões no interior; que ainda há em cargos de confiança servidores ligados ao ex-governador Marcello Alencar (PSDB), e pede a criação de um conselho político, com representantes dos partidos que apóiam o governador (PDT, PT, PSB, PC do B, PPS, PV e PCB).
O documento também critica a suposta "visão neoliberal da reforma do Estado", pede independência para o Poder Legislativo e exige um diálogo com o governador, mas "sem servilismo". "É preciso deixar claro que o PT é um dos maiores responsáveis pela vitória de Garotinho", disse Campos, lembrando que mesmo governadores e prefeitos petistas sofrem críticas do partido e que o PT, por tradição, é independente do Poder Executivo, mesmo quando o controla. Segundo o vice-presidente petista, a Articulação, sozinha, tem pouco menos de 39% dos delegados, mas, em aliança com independentes, terá 45% dos votos.
Uma aliança entre os grupos Opção Popular, do deputado Carlos Santana, Opção Socialista, do presidente regional, Domício Mascarenhas, e Ação Popular, do vereador Adilson Pires, que soma cerca de 40% dos delegados, também apresentou um documento criticando Garotinho - e de forma mais contundente. "Não nos preocupamos com reformas administrativas, mas com iniciativas de governo", criticou Pires. "Por exemplo: fomos pesquisar o programa de bolsa-escola e descobrimos que só vai ter mil famílias; no Estado inteiro, qualquer igreja evangélica ou ONG (organização não-governamental) atende a mais do que isso." No documento "Um PT Democrático e Popular: Superando a Saudade e Construindo a Esperança", esses grupos também defendem - mas como condição para continuar no governo - a constituição do conselho político. "A política do governo Garotinho não pode ser apenas da cabeça do Garotinho", disse Pires.

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