São Paulo, 12 (AE) - A bancada do PT na Câmara de São Paulo pôs hoje em prática uma estratégia acertada previamente com os demais partidos de oposição ao Executivo, que consiste em constranger publicamente o PMDB, como forma de pressão para que os vereadores da legenda fechem questão a favor das investigações das denúncias contra o prefeito Celso Pitta (PTN).
Depois de encerrada a comissão especial do impeachment, o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo, cobrou dos peemedebistas uma posição favorável à admissão da denúncia apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e à abertura da comissão processante (CP) no plenário.
"Não acredito que os vereadores do PMDB vão ignorar a posição dos diretórios municipal e estadual do partido, amplamente divulgada pelo nobre ex-deputado João Oswaldo Leiva nesta Casa há alguns dias", disse Cardozo, em discurso proferido hoje. "Imagem o absurdo que seria se os vereadores do PMDB, um partido de tradição democrática no Brasil, votassem contra a abertura do processo de impeachment?; seria justo, então, que uma grande parcela da população imaginasse que a posição do partido não passou apenas de um jogo de cena para dar uma resposta à opinião pública, uma vez que, na verdade, sabiam o tempo todo que os seus vereadores votariam contra as investigações das denúncias", completou.
Na prática, as oposições querem constranger a bancada do PMDB perante a opinião pública. Com isso, pretendem influir numa eventual mudança de posição do vereador Ivo Morganti (PMDB), que representa o partido na comissão especial de impeachment e conseguir formar o quórum mínimo de 33 votos para a eventualidade de a denúncia ser submetida a votação em plenário.
Morganti, que faltou hoje à sessão da comissão especial por problemas de saúde, ainda não declarou o voto. Apesar disso, governistas e vereadores da oposição acreditam que a tendência de Morgani é votar com o Executivo.
Desde o início da comissão, Morganti votou sempre a favor do governo municipal - elegeu os vereadores Wadih Mutran (PPB) e Brasil Vita (PBB) para os cargos de presidente e relator
respectivamente. O pemedebista afirmou que isso não significa que o voto será favorável a Pitta.
O presidente do Diretório Municipal do PMDB, João Oswaldo Leiva, distribuiu semana passada na Câmara carta com o apoio de cerca de 40 dirigentes zonais cobrando voto favorável à denúncia de Morganti. A bancada, entretanto, não está obrigada a seguir essa posição.
Isso porque o partido não fechou questão sobre o assunto. Ontem (11), o líder do PMDB na Câmara, Jooji Hato, disse que Morganti "deverá cumprir a determinação do partido".
Em seguida, afirmou que, se o vereador justificasse a decisão, "estaria tudo bem". Ao ser questionado pela reportagem que essa posição contraria a do partido, Hato disse que não havia entendido o documento divulgado por Leiva dessa forma.

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