PT condena briga entre ACM e Temer
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 15 (AE) - A liderança do PT na Câmara dos Deputuados acaba de divulgar uma nota criticando a troca de insultos entre os presidentes do Senado e da Câmara. Ao divulgar a nota, o líder do PT na Câmara, José Genoíno, afirmou que "o bate-boca está beirando a quebra do decoro parlamentar". A nota afirma que o episódio "desqualifica e rebaixa um debate que podia ser tratado no mais alto nível", que é o da reforma do Judiciário. O partido se solidariza, na nota, com a instituição Câmara dos Deputados e com a instituição Presidência da Câmara, mas afirma que "a degradação" da imagem da Casa tem origem na "continuada omissão de uma maioria que abdicou do dever constitucional de fiscalizar e controlar o Executivo, na subserviência de uma direção que sistematicamente se deixa pautar pelo Executivo e que agora assiste a uma tentativa de humilhação promovida pelo presidente do Senado".
A bancada do PT apela ainda, no texto, aos partidos e à direção da Câmara para que não haja recesso parlamentar, em julho, e que o Congresso seja autoconvocado para discutir naquele mês a criação de uma CPI sobre a privatização do Sistema Telebrás, para discutir e votar as reformas tributária e do Judiciário e a aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) "sem atropelos e sem a consagração da subserviência do Brasil às ordens do FMI". Ao distribuir a nota, Genoíno afirmou que o presidente do Senado tem direito a opinar sobre qualquer assunto. (A briga com o deputado Michel Temer começou depois que o senador Antonio Carlos Magalhães criticou suposta interferência do presidente da Câmara no texto da proposta de reforma do Judiciário).
Genoíno ressalvou que "a condução" das matérias que tramitam na Câmara deve ser feita pelo presidente da Câmara. O deputado petista disse desconfiar de que por trás da discussão entre Magalhães e Temer há algo mais do que a reforma do Judiciário, pois o confronto está "muito pesado".


