PT briga com o governo Lessa
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques e Ricardo Rodrigues 
Maceió, 10 (AE) - O PT de Alagoas começa a abandonar a base de sustentação do governador Ronaldo Lessa (PSB). A senadora Heloísa Helena, que controla toda a ala Democracia Socialista, um terço dos filiados do partido no Estado, disse que anunciará amanhã (11) seu desligamento da base, durante encontro extraordinário do partido. Os petistas estão descontentes com os cargos que Lessa distribuiu a deputados estaduais acusados de envolvimento com o crime organizado.
Ronaldo Lessa disse que Heloísa é "muito amiga" dos deputados supostamente envolvidos com o crime organizado e que ela teria de dar explicações sobre as declarações. Os deputados a que se referiu o governador são Antônio Albuquerque, do PRTB, acusado de desvio de verbas e de crime de pistolagem, e João Beltrão (PMDB), acusado de receptação de carretas.
As declarações do governador irritaram o líder do PT na Assembléia Legislativa, Paulo dos Santos, o "Paulão". Segundo ele, o governador pode fazer com que sua ala, a Articulação, tome amanhã (11) o mesmo rumo de Heloísa, que é o de abandonar a base de sustentação do governo.
Heloísa Helena disse que Lessa, apesar de publicamente repudiar o crime organizado, distribuiu "centenas" de cargos nas secretarias de Indústria e Comércio e da Saúde, entre outras
aos deputados Antônio Albuquerque e João Beltrão.
O relacionamento entre os petistas e o governador começou a ficar tenso esta semana, quando a CPI do Narcotráfico chegou a Maceió e convocou Albuquerque e Beltrão para dar explicações sobre envolvimento com o narcotráfico. Beltrão, um dos principais deputados da base de sustentação, chegou a dizer que tinha armas ilegais em casa e que é réu confesso.
Paulão, representando o PT na Assembléia, disse ontem (09) que o governador mostrou "pouco empenho" para recepcionar a CPI do Narcotráfico. Disse ainda que o governador ganhou a eleição mas não tem o poder em Alagoas, onde quem manda são as "forças conservadoras". Hoje, o governador disse em uma rádio de Maceió que em nenhum momento deixou de dar a recepção adequada à CPI. Lessa disse que foi vítima da violência, já que seu irmão foi assassinado pelo mesmo crime organizado.


