O coordenador da campanha do candidato a presidente da República pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná, o vereador Jorge Samek, teme que as bombas colocadas nas torres de trasmissão de energia de Furnas Centrais Elétricas, que ligam Itaipu a São Roque (SP), sejam uma armação contra o Partido dos Trabalhadores (PT), o que, segundo ele, já teria ocorrido em outras eleições. Ontem Samek, o presidente do PT no Estado, Roberto Salomão, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Emerson de Castro Firmo da Silva, e o assessor da presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, Carlos Marcondes Filho, estiveram na sede da Polícia Federal, em Curitiba, para cobrar rapidez na apuração do caso.
O superintendente da Polícia Federal no Paraná, Glicério Ferrari, não quis comentar as declarações do petista. Ferrari disse que ‘‘esse é um problema político’’ que não lhe diz respeito. O superintendente afirmou que proibiu os comentários de qualquer policial sobre o assunto até que as investigações sejam concluídas.
Para Samek, a reunião de ontem foi uma forma de a esquerda se prevenir contra uma possível ‘‘armação da direita’’. Para ele, quem colocou as bombas ou foi um ‘‘maluco ou foi a direita’’. ‘‘A história me leva a concluir que é um esquema preparado com o objetivo de atingir o Lula’’, disse. Um dos exemplos de armações contra o PT, citados pelo vereador, foi o sequestro do empresário paulista Abílio Diniz, em 1989. Um dos sequestradores presos foi mostrado à imprensa com uma camiseta do PT dias antes da eleição em que Lula perderia para Collor. Para Samek, a imagem vinculou a violência ao candidato petista.
Declarações do ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, aumentaram as desconfianças de Samek. Para o coordenador da campanha petista, as afirmações do ministro já indicam a intenção de ‘‘culpar o PT’’, em segundo na corrida sucessória. Samek disse ser estranho que esses incidentes ocorram sempre em vésperas de eleições, que o PT seja acusado em todos eles, para alguns meses depois das eleições ser inocentado. ‘‘Depois não adianta, porque os prejuízos já foram causados’’, afirmou.
O ministro Raimundo Brito ordenou anteontem a vistoria das linhas de Furnas no Paraná em um prazo de três dias. O objetivo é verificar a existência de 12 bombas nas quatro linhas de transmissão que partem de usina de Itaipu, conforme denúncia anônima recebida na terça-feira pela direção de Furnas.
Brito admitiu que as consequências deste ato teriam um forte efeito político. ‘‘Isto colocaria uma situação de absoluta impossibilidade de se evitar racionamento durante algum período, com prejuízo para a economia e para milhões de brasileiros’’, afirmou na quinta-feira. ‘‘Não há dúvida nenhuma de que, quando se colocam bombas em série em diferentes linhas de transmissão, isto tem conotações políticas graves’’.

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