Psiquiatra mata o pai, que o chamava de desequilibrado
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terça-feira, 23 de abril de 2002
Biaggio Talento Agência Estado 
Salvador - O médico psiquiatra e professor de filosofia da Universidade Federal da Bahia Breno Mário Mascarenhas de Castro, de 43 anos, matou a tiros, no início da noite de anteontem, seu pai, o advogado aposentado Auto José de Castro, de 73 anos.
Breno está preso. O corpo do advogado foi sepultado ontem no Ministério Jardim da Saudade
O crime aconteceu no apartamento de Breno, no Edifício Catarina Paraguaçu, no bairro da Graça, em Salvador. Com sinais de desequilíbrio mental, o psiquiatra se automedicava com quatro tranquilizantes. Ele morava sozinho havia um ano, após ter se separado da mulher.
Preocupado com as crises nervosas do filho, o advogado Auto de Castro procurou pela manhã o delegado Ruy da Paz, da 1ª Delegacia de Polícia da capital baiana comunicando que Breno poderia ferir alguém, pois costumava andar armado.
Policiais chegaram a procurá-lo no local de trabalho e em casa, mas Breno não foi localizado à tarde. No início da noite, junto com o amigo Diógenes Santos Lopes, Auto foi até o apartamento do filho para convencê-lo a se internar em uma clínica psiquiátrica. Ao abrir a porta, Breno descarregou o revólver calibre 38 contra os dois. Auto recebeu cinco tiros no peito e Diógenes um no abdôme.
Mesmo ferido, Diógenes conseguiu fugir do local e chamou a polícia. Breno se trancou no apartamento, mas após algum tempo conversando com os policiais decidiu se entregar. Para a delegada Maria Dail de Sá Barreto, da 14ª Delegacia, que apura o caso, Breno disse apenas que matou o pai porque ele constantemente o chamava de desequilibrado e impotente.
Orientado pelo advogado, o acusado permaneceu calado o restante do tempo. A delegada deve sugerir no inquérito que Breno seja examinado por uma junta médica para avaliar sua sanidade mental.


