São Paulo, 19 (AE) - A PSINet, empresa americana de US$ 3,5 bilhões que adquiriu quatro provedores brasileiros nos últimos meses, quer que o governo libere o mercado de transmissão de voz antes de 2003, data definida pela Agência Nacional de Telecomuniações (Anatel). "Se essa regulamentação cair, entramos nesse mercado e com preços inferiores aos praticados", afirmou o presidente mundial e criador da PSINet, William Schrader.
Ele não esconde os planos ambiciosos para o Brasil. A PSINet vai comprar outros provedores e expandir as atividades para os dez maiores Estados brasileiros até o fim do ano. "Vamos comprar empresas com bons profissionais, que é o que procuramos", disse Schrader. Ele esclareceu que não pretende limitar as aquisições a provedores de clientes corporativos e quer também alcançar o consumidor final.
Os interesses da PSINet na América Latina estendem-se para o México e a Argentina, e a empresa vislumbra todos os países onde haja boa demanda por computadores e desregulamentação das telecomunicações. Para Schrader, o único risco nesses investimentos usados na economia digital é o governo.
"Não existe risco técnico, nem financeiro, nem de mercado", declarou, em palestra na Comdex. "A América Latina precisa adotar o modelo de competição e desregulamentação para estar pronta para o mundo", afirmou. Para ele, os países que resolverem cobrar impostos do comércio eletrônico serão alijados por, pelo menos, dez anos.
Schrader disse que apresentou os planos para o governo argentino, mas ainda não teve essa chance no Brasil. Mesmo assim
ele não está preocupado com uma possibilidade de taxação do comércio eletrônico no País. O que ele defende é uma maior desregulamentação.
As previsões de Schrader sobre o potencial da economia digital são tão ousadas quanto os investimentos da empresa. Ele acredita que as transações realizadas via Internet vão representar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em apenas quatro anos. A economia digital global vai somar US$ 3 trilhões em 2003, muito acima dos US$ 500 bilhões previstos para este ano.
Até 2003, mais de 500 mil carros vão ser comprados pela Internet e serão gastos na rede US$ 29,5 bilhões em reservas de viagens. As compras online de alimentos somarão US$ 10,8 bilhões - e ele lembrou que o Brasil tem a maior rede de supermercados por computador do mundo (Pão de Açúcar).
Schrader aposta que os internautas na América Latina vão saltar dos 8,5 milhões de hoje para 34 milhões até 2003, com um crescimento três vezes maior do que o dos Estados Unidos. Mais de metade são consumidores finais e apenas 18%, empresas de médio e grande porte.
Mas ele alertou que, se o acesso à Internet no Brasil custa apenas duas vezes mais que nos EUA, para conseguir entrar na rede, demora-se 60 vezes mais.

mockup