Verificar várias vezes se desligou o gás do fogão. Estar na rua e tomar o ônibus de volta para checar se o ferro ficou ligado. Escolher uma das cores das pedras do pavimento e pisar só nela. Chegar no local de trabalho e achar que é responsável pelo mau humor do chefe. Esses são os exemplos mais comuns de neurose, distúrbio emocional ligado à ansiedade, sem perda da realidade externa ou desorganização da personalidade.
Segundo o psicólogo do Núcleo de Atendimento Psicossocial à Criança e Adolescente (Naps-CA) Sérgio Ricardo Belon da Rocha Velho, a neurose só se agrava quando interfere na conduta diária e leva ao núcleo psicótico. Sérgio Ricardo explica que 30% da população mundial já passou ou deve passar por distúrbios mentais, como depressão, pânico, fobia, psicose e esquizofrenia. Em todos os casos, a alteração de comportamento é um sintoma importante que deve ser observada pela família.
‘‘Mudanças bruscas no humor, passando de euforia à prostração são sinais para que se busque ajuda’’, alerta Sérgio Ricardo. Na esquizofrenia, uma das patologias mais sérias, a pessoa dissocia os sentimentos e fica desconectada da sociabilidade, diz.
A partir da 80 teve início uma luta antimanicomial para resguardar os resquícios de consciência do doente. No surto da crise o internamento integral é aceito por no máximo dez dias. Depois deste período o paciente fica no hospital durante o dia e volta para casa à noite.
A extinção dos hospícios, que até recentemente eram vistos como um confinamento de pessoas que não conseguiam conviver em sociedade, faz parte da nova ótica da saúde mental.
Ainda que haja uma predisposição genética para se desenvolver doenças mentais, elas podem não se manifestar. ‘‘O meio contribui para o surgimento da doença, que aparece depois que se cria um campo propício’’, diz Sérgio Ricardo. (M.B.)