Psicóloga pede ação urgente
A psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), Alessandra Rocha Santos Silva, responsável pelo primeiro atendimento e encaminhamento da adolescente agredida e de seus familiares a outros serviços, ressaltou que o assunto merece atenção e ação urgente por parte de pais, educadores, trabalhadores sociais e psicólogos. ''É preciso levar isto a sério porque envolve situações de abuso sexual, de relações de poder, de banalização da sexualidade e das relações afetivas no universo infanto-juvenil, do direito do outro de dizer não'', enumerou.
Para a psicóloga, o problema deve ser colocado em pauta em casa, nas escolas, igrejas e demais comunidades. Ela ressaltou, porém, que as pulseiras não são o problema em si, mas o fato de tornarem-se um instrumento que tem sido usado para expor e estimular a sexualidade indiscriminada. ''Elas devem servir de alerta para que trabalhemos no sentido de tornar os adolescentes indivíduos críticos, que saibam dizer não e que respeitem os direitos do outro.''
Para Alessandra, a imaturidade, no caso da garota violentada, foi justamente um dos problemas que agravaram a situação. ''Embora ela soubesse o significado das pulseiras, não teve maturidade suficiente para evitar aquela situação e acabou vítima da coersão.'' Segundo a psicóloga, o acessório deixa as crianças e jovens bastante expostos, porque nunca se sabe qual interpretação o outro vai fazer do seu uso. E revela uma situação oposta à desejável em termos de desenvolvimento de relação afetiva adequada.
De acordo com Alessandra os primeiros atendimentos da adolescente agredida foram feitos na manhã de terça-feira passada, menos de 24 horas após a agressão. Antes, porém, ela já havia se deparado com a gravidade do uso das pulseiras, ainda maior em determinadas regiões da cidade. ''Na sexta-feira anterior eu havia ouvido o relato de uma garota de nove anos, que usava o acessório, sobre uma outra menina da região onde ela mora, da mesma idade, que tinha tido que pagar com sexo pelo rompimento de uma das pulseiras.'' O assustador, segundo a psicóloga, é que a menina deu a entender que, se o mesmo acontecesse com ela, teria que agir da mesma forma. (S.L.)





