Campinas, SP, 06 (AE) - A psicóloga Liliana Andolpho Magalhães Guimarães, que traçou num estudo o perfil psicólogico da namorada do empresário Paulo César Farias, o PC, Suzana Marcolino, alegou que ainda não tinha autorização dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e de Psicologia (CRP) para revelar os nomes dos entrevistados ouvidos para a elaboração do laudo.
O promotor de Justiça de Alagoas Luis Vasconcelos e os delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que retomaram as investigações sobre as mortes, em 1996, tiveram, com isso, de adiar o depoimento de Liliana, que estava marcado para hoje, em Campinas, no interior de São Paulo.
Liliana diz no laudo que a namorada de PC "apresentava alto risco para o suicídio". "É uma questão de ética ligada ao sigilo dos informantes", explicou a psicóloga, que é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O promotor e os delegados concordaram em ouví-la amanhã (07), em São Paulo, caso o CRM e o CRP concedam a autorização.
A psicóloga elaborou o laudo a pedido do delegado Cícero Torres Sobrinho, que presidiu o inquérito na primeira investigação.
Participaram do estudo o psiquiatra forense Pedro Lana Pôssas e o psiquiatra Acioly Luiz Tavares de Lacerda. A equipe passou 15 dias em Maceió, onde entrevistou 30 pessoas ligadas direta ou indiretamente a Suzana. Segundo Liliana, um dos compromissos assumidos com os informantes é de que os nomes deles não seriam revelados.
"Eles disseram-nos coisas que não diriam num contexto policial", explicou a psicóloga. No laudo, Liliana relaciona 26 fatores que, segundo ela, definem as tendências suicidas de Suzana. Entre eles, "tentativas de suicídio anteriores, sentimentos crônicos de vazio, raiva intensa, impulsividade, transtorno depressivo, alcoolismo, abuso de drogas, e esforços excessivos e repetidos para evitar abandono real ou imaginário".
O documento reforça o laudo do legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp, para quem Suzana matou PC e, depois, cometeu suicídio. Essa tese, porém, diverge de um segundo laudo, elaborado pelo perito Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), que levanta a hipótese de duplo homicídio. A principal contradição entre os dois laudos se refere à estatura de Suzana. Palhares afirma que ela media 1,67 metro, enquanto Munhoz diz que a altura seria de 1,57 metro.
O promotor que reabriu o caso disse que o adiamento do depoimento não prejudicará as investigações. "Vamos agir sem precipitações", afirmou. A equipe retorna amanhã à tarde para Maceió, levando na bagagem oito fitas de vídeo com 16 horas de gravação sobre a perícia realizada por Palhares. O legista da Unicamp, que foi ouvido ontem (05), garante que o material contém informações suficientes para comprovar que Suzana media 1 67 metro.

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