Qual criança não chora, grita, desobedece os pais, ou faz birra e manha? Praticamente todas. Mas, o comportamento deixa de ser normal quando esse tipo de situação é frequente ou tem muita intensidade. Corrigir os problemas até os seis anos de idade pode impedir que eles se tornem mais graves. O alerta é da psicóloga Cynthia Borges de Moura, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Os problemas na educação dos filhos, explica a psicóloga, começam pela dificuldade dos pais de reconhecer o que é normal no comportamento da criança em cada faixa etária, ou do que é possível exigir em cada fase (veja quadro). Isso faz com que eles ou sejam muito permissivos ou muito exigentes.
''O que observo é a dificuldade da família de detectar o que é normal. Por isso, acabam permitindo muita coisa. Por exemplo, deixam o filho agredir outra criança ou o irmão porque é 'normal'. Mas, sem corrigir esse comportamento, com oito, nove anos, isso já se tornou mais grave, a criança já virou um 'tirano'', avalia.
Os problemas, segundo a psicóloga, podem aparecer em oito grandes áreas. Uma delas se caracteriza por queixas somáticas, quando a criança está sempre reclamando de alguma dor, de cabeça ou de barriga, por exemplo, mas não tem nada físico. Também são considerados problemas os de sono - se é agitado, se a criança dorme pouco, ou se demora para dormir.
Outro problema que pode aparecer nessa fase é a agressividade, a criança que bate, chuta, morde. Ou aquela que tem problemas de atenção, o que pode vir a atrapalhar o aprendizado no futuro. A instabilidade emocional, aquela criança que uma hora grita, outra chora, em situações parecidas, é outro item que merece atenção. Também são considerados problemas o isolamento, e a ansiedade e depressão. Todos esses fatores, ressalta a psicóloga, são sempre avaliados levando-se em conta a frequência e a intensidade.
A superproteção, alerta, também pode resultar em crianças muito dependentes dos pais, que não aprendem a se relacionar com outras crianças, a dividir, esperar a vez ou lidar com a frustração. ''Na dúvida, os pais acabam sendo permissivos'', afirma.
Cynthia salienta que a escola ''dá muitas dicas'' para os pais, e que é importante que eles atendam os encaminhamentos da professora, ''quase sempre corretos''. ''Como elas atendem muitas crianças, têm bem claro o que é normal ou não em cada faixa etária'', avalia.
Ela lembra ainda que os problemas comportamentais da criança tem a característica de aparecer em determinados locais ou situações. Assim, o problema pode aparecer só em casa e não na escola, ou o contrário. Se aparece nos dois ambientes, ''procure ajuda (psicológica) com urgência, porque aí já generalizou''.
Mas a criança ''muito boazinha'', que obedece todas as ordens, alerta Cynthia, também não tem comportamento normal. ''Pesquisas mostram que as crianças normais (não clínicas) obedecem em torno de 70% das ordens e instruções maternas, e as clínicas de 40% a 50%'', informa.
Quando o diagnóstico e o tratamento do problema é feito na idade pré-escolar, dos dois aos seis anos de idade, as mudanças são simples e rápidas. Nestes casos, o foco é o comportamento dos pais. São eles quem devem mudar as atitudes, para que isso se reflita no comportamento das crianças.

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