Os hinos e cantorias típicos em muitos segmentos religiosos, na opinião do psicanalista Mauro Neiches, também têm efeito tranquilizante. ‘‘A música é realmente encantatória. Algumas religiões até chegam a promover um espetáculo hipnotizante neste sentido. Acredito, contudo, que estes momentos, de auto-hipnose, fazem com que o indivíduo interrompa um processo mental de dúvidas e incertezas, mergulhando na música’’, pondera. ‘‘Claro que todo mundo se sente melhor quando faz a catarse do que lhe preocupa. O que questiono, sem excluir a terapêutica disso, é o limite de alienação que distancia a pessoa de si mesma. Eu quero saber o momento de reflexão depois do hino, porque o problema continua existindo’’, diz.
Em algum momento, defende Neiches, a indivíduo volta a si, e percebe que nada foi resolvido, que a raiz dos problemas ainda perdura. O mudar frequente de uma religião para outra nada mais é do que um reflexo deste descompasso. ‘‘Quem fica mudando a toda hora de religião, não está procurando Deus, mas, sim, a solução para determinado problema’’, define o marceneiro Geraldo Gumiero, ‘‘católico praticante durante toda a vida’’. (AE)

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