PSDB tenta tomar as rédeas da articulação política do governo
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 02 (AE) - A nova articulação política do governo comandada exclusivamente por tucanos deverá trazer dificuldades para o Planalto, principalmente no relacionamento com o PFL e PMDB - os outros dois grandes partidos políticos da base governista. Os aliados agora ameaçam assumir uma posição de independência. Por isso, as próximas duas semanas serão decisivas para o governo. A avaliação é de que esse será o tempo que o Planalto terá para estabelecer um bom trânsito com os deputados e lideranças políticas depois do recesso parlamentar. Caso não tenha sucesso, o novo comando político do governo poderá amargar um triste resultado nas votações de interesse exclusivo do Executivo.
O silêncio estratégico das principais lideranças aliadas sobre o assunto acabou sinalizando para o governo de que a insatisfação desses partidos, com a concentração de poder nas mãos do PSDB, irá prejudicar a relação futura entre os aliados e governo. Diferente do primeiro mandato, quando existiam representantes de todos os partidos na articulação do governo com o Congresso, dessa vez o presidente Fernando Henrique Cardoso colocou cinco tucanos para realizar esse difícil relacionamento com deputados e senadores aliados.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima, manda um recado. "Se os novos articuladores do governo utilizarem o cargo institucional para fortalecer o PSDB, como fez o ministro Pimenta da Veiga, eles serão rifados e minados e não terão interlocução com os demais partidos", adverte Geddel. Além do ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) e do deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) na liderança da Câmara, reforçaram o time os deputados Arthur Virgílio (PSDB-AM) na liderança do Congresso, e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), como ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, e José Roberto Arruda (PSDB-DF) na liderança do governo no Senado.
Aliás, esta última indicação foi considerada uma provocação direta ao PMDB, já que antes o cargo era ocupado pelo senador Fernando Bezerra (PMDB-RN). "Não houve a delicadeza e a consideração por parte do governo de consultar o líder do partido, senador Jader Barbalho (PA)", avalia o vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Segundo ele, no Senado o PMDB é disparado o maior partido, com poder inclusive de criar uma CPI praticamente sozinho. Já o líder Arruda, tenta minimizar o conflito. "Ser líder do governo é uma situação que tem mais ônus do que bônus", avalia o senador tucano comparando o seu novo posto como um ministério sem pasta. "É bom lembrar que esse é um cargo que tradicionalmente é ocupado pelo partido do presidente", completa.
Mas as palavras de Arruda não convenceram os partidos da base. No PFL a insatisfação é ainda maior. O sentimento da cúpula do partido pode ser expressado nas palavras do deputado Roberto Brant (MG). "Ao assumir uma articulação tucana, o presidente acabou excluindo o PMDB e o PFL", analisa Brant. "Ao fazer esta opção doméstica, os demais partidos ficam mais independentes." O deputado mineiro vai além em sua avaliação. "O PFL agora não tem mais responsabilidade política nenhum com o governo; nossa responsabilidade é apenas com o País", avisa, lembrando que de agora em diante, os pefelistas ficam liberados de qualquer vínculo mais íntimo das decisões do Executivo. "Ninguém pode mais contar com o nosso voto incondicional."
Os tucanos rebatem esse início de rebelião na base. Para o vice-líder do PSDB na Câmara, deputado Emerson Kapaz (SP), não há motivo para tanta insatisfação. "A convivência de três partidos é sempre muito difícil", avalia. "É bom lembrar que nos primeiros quatro anos do governo o PSDB foi o partido que mais engoliu sapos", lembra Kapaz.
Segundo ele, só agora é que os tucanos começam a exercer com mais força a social democracia no País. "Portanto, se eles (PMDB e PFL) estão preocupados, é sinal de que a nossa fórmula está dando certo", provoca Kapaz, sem demonstrar preocupação com a insatisfação na base. Mas a avaliação na base é que ao fazer esta opção social democrata o presidente Fernando Henrique fez uma aposta de risco. "Essa é uma jogada audaciosa para um partido que só tem 100 deputados", rebate Brant.


