Brasília, 15 (AE) - O governo está extremamente preocupado com o resultado do troca-troca partidário que colocou o PSDB como a maior força da Câmara, rebaixando o PFL para a terceira colocação no ranking das grandes legendas.
O grande temor do Palácio do Planalto é que o PFL comece a prejudicar votações importantes que ainda restam no Congresso. Essas preocupações foram colocadas pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, durante reunião hoje à noite de mais de uma hora no Palácio do Planalto.
Participaram do encontro convocado de última hora pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, os líderes do governo Arnaldo Madeira (PSDB-AM), na Câmara, e Arthur Virgílio (PSDB-AM), no Congresso, além do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.
"O presidente está preocupado em manter a unidade da base e não ferir interesses que possam levar a um acirramento nas relações dos aliados", disse o ministro Aloysio Nunes Ferreira. "É preciso ter um limite para não afetar o apoio político", completou o ministro, criticando a posição do PSDB.
A liderança tucana insistiu em formar um bloco com o PTB para aumentar de tamanho na Câmara, mesmo depois que o presidente Fernando Henrique chamou o líder do PSDB, deputado Aécio Neves, na semana passada, para informá-lo de que era contra a fusão. "Isso acaba tirando a harmonia que existia na Câmara", explicou um dos participantes da reunião.
O receio do governo é que o PSDB passe a ter uma imagem de "partido da barganha", como classificou outro participante da reunião.
"O governo é de unidade, de coalizão, que resultou do voto popular vindo com o apoio dos partidos que apoiaram o presidente", reforçou Aloysio, lembrando que o troca-troca foi uma dinâmica que aconteceu na Câmara e que não foi desejada pelo governo. A ordem no Executivo é tentar amenizar as possíveis consequências dessa ofensiva tucana. "Agora é esperar o espírito público do PFL", lamentou o deputado Arnaldo Madeira.
A avaliação da articulação política do governo é que o PSDB cometeu um grande erro. Até porque havia sido alertado em várias ocasiões de que essa tentativa de crescimento não era desejada pelo Planalto.
A negociação que aconteceu nos últimos dois dias acabou pegando de surpresa e o próprio presidente e os líderes do governo, que haviam garantido ao PFL e ao líder do partido, deputado Inocêncio Oliveira (PE), que a ordem das bancadas permaneceria a mesma na Câmara.
O PFL acha que foi uma traição dos tucanos e do próprio governo. A articulação de bastidores feita pelo líder Aécio Neves, que não acredita que o Planalto foi surpreendido pela mobilização tucana.
"Eles estavam sabendo de tudo", confidenciou um cacique pefelista, sem esconder a revolta com o governo. "O PFL foi humilhado."

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