PSDB reúne caciques para dar apoio a FHC
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Isabel Braga e Ariosto Teixeira 
Brasília, 27 (AE) - O PSDB reuniu hoje os principais caciques para demonstrar apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Após reunião da Executiva Nacional do partido, a bancada tucana ouviu o discurso de Fernando Henrique, durante solenidade no Planalto.
Segundo o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), a presença dos tucanos à cerimônia foi um ato de unidade para dizer que estão "com ele prá valer". "O presidente deu uma resposta à altura", acrescentou.
Na opinião do líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), o discurso do presidente foi um "desabafo justificável". "Os homens dignos têm a capacidade de se indignar", afirmou. Ele fez um relato de conversa que manteve com o presidente antes do discurso, quando Fernando Henrique teria lhe dito não mais esperar por "reconhecimento, mas sim, respeito". Segundo Neves
o presidente garantiu-lhe que todo o processo de privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) foi feito em benefício do País. Para o presidente, ainda segundo Neves, não interferir no processo seria assumir o procedimento neoliberal que muitos o acusam de praticar.
Neves frisou que o pedido de impeachment significou a "desmoralização absoluta da oposição", que não soube "graduar as coisas". O deputado lembrou que, embora os partidos de esquerda venham pedindo o afastamento do presidente há três semanas, "o mercado deu a melhor resposta: não tomou conhecimento da pirotecnia que tomou conta do Congresso".
O governo considera que a turbulência política provocada pela publicação das degravações de novas fitas do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi tratada de uma forma eficaz e não produziu os efeitos desejados pelos "interesses ocultos" que motivaram a divulgação.
A avaliação do Palácio do Planalto é que hoje há uma coordenação e uma sintonia entre os estrategistas e operadores do governo que atuam no Executivo e as lideranças da base governista. Segundo o secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Andrea Matarazzo, as lideranças governistas na Câmara e no Senado estão sendo informadas permanentemente do que o governo está fazendo e das explicações adotadas para cada caso. "A nossa experiência com o Congresso tem sido sensacional; nossos líderes respondem imediatamente quando precisamos deles"
disse Matarazzo.
Os serviços de informação e contra-informação do governo identificaram prováveis pontos de origem das ações que resultaram no grampo no BNDES e na posterior divulgação do material. Fernando Henrique está sendo informado sobre os desdobramentos deste trabalho e segue a orientação de que o assunto não deve ficar sem a devida apuração, uma vez que se trata de atos considerados criminosos.
O governo avalia que este episódio afeta negativamente as instituições, sobretudo a Presidência da República, ao produzir a sensação de que nem mesmo as altas autoridades do País estão protegidas de atos violência contra a privacidade. "Imagina o que pensa o cidadão comum quando o presidente da República e o ministro da Fazenda estão sujeitos a terem suas conversas privadas gravadas e, depois, publicadas pelos jornais", afirmou uma fonte do governo.


