Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso interferiu no PSDB para evitar o assédio do seu partido a deputados de outras legendas da base aliada. A liderança tucana na Câmara havia iniciado uma ofensiva para aumentar a sua bancada. O objetivo do PSDB era tornar-se o maior partido na Casa e com isso ter o direito de comandar a Comissão de Constituição e Justiça, além de um maior número de presidências de comissões temáticas e especiais e de relatorias. A estratégia tucana também visava ao cargo de presidente da Câmara, que normalmente é indicado pela maior bancada.
Os outros quatro partidos da base - PMDB, PFL, PPB e PTB - reagiram ao assédio tucano, que estava ameaçando a harmonia entre os aliados no Congresso. Durante o dia de hoje, os principais caciques desses partidos mobilizaram-se para impedir o troca-troca. O impasse só acabou no final da tarde, quando o próprio Fernando Henrique garantiu ao líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), que os tucanos não iriam mais tentar assediar as demais bancadas e chegou a ligar para os líderes de outros partidos. "O importante é que foi mantido o equilíbrio de forças aliadas", disse Virgílio no final do dia.
Com isso, o PFL deverá continuar sendo o maior partido na Câmara, devendo manter os atuais 105 deputados e as mudanças deverão ser mínimas. "A tentativa de aliciamento foi uma vergonha e uma excrescência", denunciou o corregedor da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE). "O governo não poderia jamais permitir que partidos aliados influenciem nesse tipo de mercado". Mesmo depois que tudo parecia resolvido, o PSDB ainda tentou formar um bloco parlamentar com o PTB, e com isso tornar-se a principal força da Câmara.
Mas uma vez foi preciso a intermediação direta do presidente Fernando Henrique. A proposta acabou dividindo o próprio PTB, já que o presidente do partido, José Carlos Martinez (PR), posicionou-se contra a negociação que estava sendo feita pelo líder da bancada, deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Mas antes
o próprio PMDB havia tentado algo semelhante ao assediar o pequeno PST, que tem apenas cinco deputados.
"Nossos cinco deputados poderiam fazer a diferença para qualquer um dos três maiores partidos, já que a diferença é muito pequena", disse o líder o PST, deputado Antônio Feijão (AP), que nessa semana deixou o PSDB para assumir o comando da minúscula bancada. "Fomos procurados pelo líder Geddel Vieira Lima (BA) e estamos estudando a proposta", explicou Feijão. "O partido está aberto para novas propostas".
O prazo final para definição de bancadas do ano legislativo de 2000 acaba no próximo dia 15. Atualmente, o PSDB é o segundo maior partido com 101. Depois vêm o PMDB com 99 e o PT com 61. Já o PPB tem 48 deputados e o PTB 24.
Antes de tudo ser resolvido, o assédio foi grande durante essa semana. O deputado Nelton Lima (PFL-SP), ligado a Assembléia de Deus, confirmou ter sido sondado pelo líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG). "Ele chegou a me dizer que eu tinha cara de tucano", disse Lima. Já no PMDB, o assédio tucano era maior em cima do deputado José Borba (PR), que preferiu não sair do partido. "O PMDB não aceita qualquer tipo de comportamento que não seja ético", atacou o vice-líder do partido, deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE).
Além do troca-troca, os partidos também devem chamar deputados que estão licenciados para reocupar suas cadeiras na Câmara. Esse é o caso do PPB, que deverá trazer quatro deputados que ocupam cargos de secretários em Santa Catarina e no Distrito Federal. Isso porque o PPB corre o risco de perder espaço na Câmara, caso não consiga ficar com pelo menos 51 deputados.

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