Brasília, 19 (AE) - O PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, promete reagir à Marcha dos 100 mil, mobilização de agricultores sem-terra, organizada pelos partidos de oposição, que chega a Brasília no dia 26. "Se houver qualquer golpismo aparente nessa passeata, o PSDB vai responder com a força", avisou o líder do partido na Câmara, Aécio Neves (MG). "Reagiremos com a mesma violência com que vierem com esses ataques", acrescentou. "O partido está atento e vai reagir", endossou o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL).
O líder tucano na Câmara cobrou dos partidos de oposição propostas concretas para a solução dos problemas do País e atribuiu a uma perda de rumo a organização de manifestações pedindo o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. Aécio Neves afirmou que o PSDB está com uma "imensa preocupação" com o engajamento de "respeitáveis líderes" da oposição em processos "com sinal de ilegitimidade", referindo-se a recentes declarações do presidente de honra do PT
Luiz Inácio Lula da Silva, de que "admirava" o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que derrubou o Congresso de seu país há cerca de seis meses. "É um apoio condenável", disse.
"O Lula tem dado declarações com sentido golpista", concordou Teotônio Vilela. Na quarta-feira, Lula reiterou ter achado "sensacional" o fato de Chávez ter convocado uma Assembléia Constituinte na Venezuela. "O que Chávez fez foi mais limpo, mais transparente e mais decente do que dar dinheiro na calada da noite para os deputados aprovarem a reeleição", disse. A afirmação foi uma referência ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para Aécio, qualquer mobilização social é legítima e democrática, desde que respeite a ordem. Os políticos tucanos saíram em defesa do presidente Fernando Henrique: "Pode-se questionar o presidente por várias questões, mas jamais quanto à sua defesa da democracia", disse Aécio Neves.
As lideranças de oposição rebateram a acusação de golpismo, afirmando que a manifestação da próxima quinta-feira será pacífica e organizada. "Falamos com os presidentes da Câmara, Michel Temer, do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e com o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, justamente para nos comprometer com essa manifestação democrática e pedir que haja segurança para isso", afirmou o líder do bloco PSB-PCdo B, deputado Aldo Rebello (SP). "Vai ser uma demonstração pacífica", garantiu.
Rebello frisou que a proposta é entregar, aos presidentes da Câmara e do Senado, documento com 1 milhão de assinaturas, pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na privatização da Telebrás. "Dependendo dos resultados da CPI, por meios democráticos, FHC poderá ser enquadrado por crime de responsabilidade e sofrer impeachment."

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