PSDB evitará lançar Covas e iniciará nova fase em convenção
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti e Tânia Monteiro 
Brasília, 12 (AE) - Contrariando o desejo de alguns tucanos, o PSDB evitará, durante a convenção, no fim de semana, lançar a candidatura do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), para a sucessão presidencial 2002. "É natural que, nessa convenção, acabe surgindo algumas especulações, encabeçadas pelo Mário Covas", avaliou o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. "Mas o PSDB tratará fortemente do assunto no período oportuno que é no início de 2002", disse. No encontro, o PSDB quer também iniciar uma nova fase, com o objetivo ser um contraponto na relação do governo com o PMDB e o PFL, aliados que vêm incomodando o Palácio do Planalto.
A convenção irá reconduzir à presidência do PSDB o senador Teotônio Vilela Filho (AL). "Se não fosse a competência do PFL, eu iria achar que esse lançamento de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA, presidente do Congresso) para a presidência é de quem quer queimar o nome do senador, que é o candidato mais forte do partido", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG).
O sinal verde para assumir essa nova postura foi dado hoje pelo Fernando Henrique Cardoso, depois de um almoço no Palácio da Alvorada, com o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) e com Veiga. "As bases do PSDB tem assumido esse sacrifício para colaborar com a permanência da aliança", avaliou Azeredo, fazendo uma referência à própria derrota para o peemedebista Itamar Franco, em Minas Gerais. "Mas, daqui para frente, o PSDB passará a ter uma posição mais influente, o que tem a concordância do presidente Fernando Henrique", completou Azeredo, descartando a possibilidade de participar do governo federal. O ex-governador de Minas Gerais informou que irá voltar para a iniciativa privada, como presidente de uma empresa de informática.
A opinião de Azeredo é hoje um consenso dentro do PSDB. A nova linha de independência dos tucanos tem sido dada por Covas. Para Veiga, essa postura de afirmação apregoada por Covas é positiva, uma vez que permitirá o equilíbrio na base. "Isso ajuda a fortalecer o PSDB e o governo", avalia Veiga.
"O partido viveu uma transição e, agora, está reencontrando-se com grande força", avisou o ministro tucano. A reviravolta tucana é uma resposta ao desgaste que o PSDB vêm sofrendo, imposto principalmente pelo PMDB e PFL.
A onda de ressentimento no ninho tucano é grande. O próprio Fernando Henrique não digeriu até hoje as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Sistema Financeiro e do Judiciário criadas pelos senadores aliados Jáder Barbalho (PMDB-PA), presidente nacional do partido e líder da legenda no Senado, e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente do Congresso. Foi por isso que ele deu o sinal verde para os caciques do PSDB, com o objetivo de iniciar esta afirmação.
Mas, além do ressentimento, a sensação de desamparo é grande entre os próprios tucanos. No Pará, o governador tucano Almir Gabriel demostra a insatisfação com Fernando Henrique, que vêm dando um tratamento preferencial na região aos pleitos do principal desafeto político dele, Barbalho. Azeredo é outro exemplo, que depois de ter perdido a eleição em Minas Gerais, ficou desamparado durante cinco meses. Em Pernambuco e no Distrito Federal, os senadores tucanos Carlos Wilson (PE) e José Roberto Arruda (DF) fazem críticas semelhantes.
"O PSDB precisa construir, a partir de agora, o seu caminho", avisou o líder Neves. "Essa postura mais afirmativa vai servir para equilibrar as pressões e posições dentro do governo de outros setores", avalia Neves. Mesmo assim, dentro do partido, há quem defenda mais cautela para evitar um rompimento da base. "O projeto político nesse segundo governo é independente entre todos os partidos que integram a base, até porque não existe mais um ponto de coesão para o futuro", analisou o senador Paulo Hartung (PSDB-ES). "Mas é preciso ter um maior amadurecimento nas relações entre os aliados para evitar crises por causa de pequenas provocações", completou.


