PSDB escolhe Covas mas diz que não lançará candidato ainda
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Maria Inês Nassif e Cláudia Carneiro 
Brasília, 14 (AE) - A Convenção Nacional do PSDB, que termina amanhã (15), em Brasília, não deve lançar candidato a presidente da República oficialmente, mas mostrou hoje que tem um: é o governador de São Paulo, Mário Covas. "Ele é a unanimidade dentro do partido e a estrela que nos guia", afirmou o presidente do partido, senador Teotônio Vilela Filho (AL), que hoje deverá ser reconduzido ao cargo.
"Sem dúvida nenhuma, Covas é o maior nome que temos hoje depois do presidente Fernando Henrique Cardoso", disse o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
A direção do partido provocou a unidade em torno de mudanças que têm por objeto tornar possível um projeto de continuidade no poder, depois de 2002. Evitou falar em nomes para não dificultar o governo do tucano Fernando Henrique, mas a convenção não deixou de expor os planos para a sucessão presidencial: o partido tem candidato e ele é Covas.
O PSDB preparou o terreno para Covas, com o cuidado de não atrapalhar o governo. "O PSDB não tem chances de se afirmar como partido se o governo Fernando Henrique for mal; e, se o governo Fernando Henrique for mal, vai afetar também o governo de São Paulo, a imagem de Mário Covas e o próprio PSDB", avaliou o deputado e ex-ministro do Planejamento, Antonio Kandir (SP). A rota traçada pelos tucanos prevê dois anos de trabalho intenso para o partido firmar um perfil distinto dos aliados. É também o prazo dado para o presidente executar o programa de governo para o qual foi eleito.
"A crise está sendo superada graças à ação de Fernando Henrique, que conteve a inflação e evitou a explosão da dívida interna; portanto, é hora de fazermos nossa agenda positiva e falar em governar", afirmou Paulo Renato. "Esse é um compromisso dos aliados que compõem a base", continuou ele, cobrando uma postura mais fiel do PMDB e PFL, que avançaram na corrida a 2002.
Nessa rota, Covas ganha dos tucanos um papel de destaque. "Covas é fundamental para ajudar a executar o programa do governo, que também é o programa do partido, mas não é hora de falar em candidatura", afirmou Paulo Renato.
A convenção marca a volta de Covas à militância tucana. Nos primeiros quatro anos de mandato, o governador afastou-se do partido e dedicou-se exclusivamente a administrar as combalidas contas do Estado de São Paulo. O projeto de voltar à política nacional foi adiado pelo câncer, descoberto logo após a reeleição e do qual se livrou após uma cirurgia e um tratamento quimioterápico.
Covas, além de ter uma posição de líder inconteste no partido, ocupa um lugar privilegiado no PSDB. Enquanto Fernando Henrique começa o segundo mandato com a popularidade em baixa, Covas, que correu o risco de perder a disputa pela reeleição, retoma o governo paulista no melhor momento político.
"Fernando Henrique é uma estrela em queda; Covas está subindo", afirmou um dirigente tucano. No último mês, o governador paulista e o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga - outra estrela em ascensão no ninho tucano - articularam intensamente a direção partidária e o modelo de gestão preparado para essa nova fase do partido. Covas resistiu a todas as pressões para que assumisse a presidência do PSDB. Foi o que fez ressuscitar uma idéia antiga, formulada pelo ex-deputado Jayme Santana (MA), redesenhada com medidas exatas para abrigar o projeto tucano: o conselho político que será hoje formalizado, uma instância que vai permitir a presença de Covas na direção partidária. O conselho será composto por governadores, ministros e outros tucanos notáveis que compõem o primeiro time do PSDB.


