PSDB é o maior partido da Câmara
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Lige Albuquerque, Isabel Braga, Gilse Guedes e Tânia Monteiro 
Brasília, 15 (AE) - O PSDB firmou-se hoje como o maior partido da Câmara, com 103 deputados, além de encabeçar o maior bloco, somando com o PTB mais 24 deputados. Nos bastidores, muitos parlamentares apostavam numa cisão na base governista, desmentida de imediato pelo líder do PSDB, Aécio Neves (MG). "Nossa união é parlamentar, não desune a base governista, até porque só diz respeito à Câmara, só que pode ser um projeto futuro, para 2002", admitiu.
O PMDB e o PFL ficaram com o segundo e terceiro lugares, respetivamente, com 102 e 101 deputados. O PMDB firmou um bloco com dois pequenos partidos, o PST, de cinco membros, e o PTN, com um integrante. O PFL ficou com 101 parlamentares. O PFL era o maior partido da Casa, há uma semana, com 105 membros e o segundo lugar era do PSDB, com 101.
Em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto, hoje, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), segundo uma fonte governista, reclamou da capacidade de sedução da bancada tucana. "Ele saiu irritado com a revoada que fortaleceu o PSDB e pode desunir ainda mais a base", disse a fonte, emendando que o senador deverá se pronunciar sobre o assunto amanhã (16).
Hoje à noite, houve uma nova reunião no Planalto - a idéia era acalmar os ânimos da base governista ainda hoje, procurando alternativas para isso.
O PMDB não se manifestou oficialmente sobre a formação do bloco, mas os pefelistas se mostraram irritados. "Aécio usou métodos sedutores para atrair", afirmou o vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM). Não houve quem afirmasse oficialmente quais seriam os instrumentos da sedução, mas, nos bastidores, se falou em diretorias nos Correios, concessões de rádio e verbas públicas.
O vice-líder do PTB, Roberto Jefferson (RJ), foi mais claro: "Teremos agora mais poder, de barganha e de ganhar comissões e cargos no governo." Na troca de elogios, Aécio afirmou: "O PTB, às vezes, vota melhor que o PSDB na Câmara porque tem muito mais liberdade."
Hoje, o PFL tentou, em vão, engrossar a bancada, com saídas até de secretários de Estado. Voltou o titular Eraldo Tinoco (BA), que tinha saído da Câmara para ser secretário de Estado, tirando o lugar do suplente Yvonilton Gonçalves (PPB). Outra volta foi a do deputado pefelista José Carlos Fonseca Júnior (ES), também abandonando uma secretaria de Estado e tirando o lugar do suplente Aloízio Santos (PSDB).
Às 20 horas, último momento para o troca-troca partidário, ainda houve parlamentares para mudar de partidos. A mudança de hoje, contudo, só vale para a definição das presidências, relatorias e membros das 16 comissões permanentes, dos projetos especiais, das medidas provisórias (MPs) e das comissões parlamentares de inquérito (CPIs). A prioridade para a escolha das comissões é proporcional ao tamanho das bancadas. A principal comissão, a de Constituição e Justiça (CCJ), fica, portanto, nas mãos do PSDB. Hoje, o presidente é o pefelista José Carlos Aleluia (BA).
Até as vésperas da eleição para a presidência da Câmara, contudo, a dança das cadeiras vai ser levada em conta para o fortalecimento dos candidatos. A eleição acontece em janeiro e, segundo o Regimento Interno da Casa, o presidente do maior partido é candidato natural, mas qualquer outro parlamentar pode se candidatar à presidência da Mesa Diretora. Será também quando serão escolhidos os dois vice-presidentes e os quatro secretários da Mesa.
O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-MG), pré-candidato à presidência da Casa, cuja eleição acontece em janeiro, acredita que saiu fortalecido. Cavalcanti sempre apostou que essa divisão na base governista, na disputa sedutora de última hora para a mudança de partido, iria fazer com que a candidatura dele, chamada "do baixo clero", ganhasse mais força. Os partidos pequenos na Câmara, contudo, não somam sequer a metade do número das bancadas governistas.
O deputado Philemon Rodrigues (MG) foi o campeão dos indecisos hoje. Até as 17 horas de hoje, ele continuava no PMDB, seu partido desde 1999, quando foi eleito pelo PTB. Naquele horário, Rodrigues passou duas horas no PL. Às 19 horas, mandou um ofício para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP) pedindo para retornar ao PMDB. O canto da sereia deu certo: às 19h35, Rodrigues retornou ao PL, confirmando acerto hoje em reunião com o deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ). "Os líderes se reuniram, decidiram meu futuro, só assinei", concluiu Rodrigues.


