Brasília, 05 (AE) - O PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiu partir para a briga na disputa por espaço no governo. A mudança de postura foi anunciada por alguns líderes do partido após os tucanos saírem fortalecidos da briga entre o governador do Pará, Almir Gabriel, e o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho. Assessores do presidente, no entanto, comentaram que uma disputa estadual foi transformada em federal, devolvendo os holofotes para Fernando Henrique, com uma questão menor, justamente no momento em que o governo vai precisar de uma maioria de 3/5 para aprovar projetos no Congresso.
"Ficaremos atentos para não perder mais nenhum cargo para nenhum outro partido", disse um representante do tucanato, que participou da operação de mobilização da bancada, na quinta-feira, para segurar Almir Gabriel no partido. Gabriel acusa Jáder e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, de tentar fazer um governo paralelo no Pará. A gota dágua para a ameaça de Almir foi a nomeação de Rogério Barzellay para o Conselho Administrativo da Companhia Docas do Pará, em substituição a Carlos Acatauassu.
Almir Gabriel desistiu de deixar o partido depois que os governadores de São Paulo, Mário Covas, do Ceará, Tasso Jereissati, e de Goiás, Marconi Perillo, entraram em ação e o levaram até Fernando Henrique. Os ministros Pimenta da Veiga, das Comunicações, e Paulo Renato, da Educação, participaram da operação.
Os tucanos admitem que agiram como os pefelistas ou os peemedebistas na briga por cargos e avisam que daqui para a frente estarão "vigilantes". Eles reconhecem que se aproveitaram da fragilidade do PMDB - que vem sofrendo ataques por causas de denúncias contra o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, no DNER e as resistências contra a nomeação do senador Luiz Estevão para a subrelatoria do Plano Plurianual - para ampliar seu espaço político.
Um desses tucanos comenta que não seria possível não sair em defesa de Almir Gabriel. Eles consideram que o governador estava sendo maltratado no Estado. Os tucanos lembram ainda que Almir Gabriel ganhou duas vezes as eleições contra o senador Jáder Barbalho, no Pará, e que precisava agir, pela primeira vez, como um partido de fato, como os demais fazem.
No Planalto, no entanto, apesar de a atuação do presidente Fernando Henrique ter sido decisiva para o governador paraense desistir da ameaça, a operação não foi vista com bons olhos. O presidente não gostou de ver uma questão regional se transformar em nacional, justamente em um momento em que o governo vai precisar brigar por votos no Congresso, para aprovar medidas constitucionais consideradas importantes e que precisam de quórum alto. Auxiliares do presidente reclamavam que com essa briga e a disposição dos tucanos o presidente foi colocado novamente nos holofotes por questões menos nobres: disputa política por cargos. Embora o problema tenha sido superado temporariamente, auxiliares do presidente estão convencidos de que mais cedo ou mais tarde a disputa local voltará à tona.
O PSDB, no entanto, está convencido de que saiu fortalecido desse episódio. "A partir de agora, estaremos vigilantes e não perderemos mais ninguém por causa de disputa de espaço político", avisou um tucano que frequenta os palácios do Planalto e do Alvorada. Ele se referia ao senador Carlos Wilson que deixou o PSDB para ir para o PPS porque queria fazer oposição ao governador Jarbas Vasconcelos, enquanto o seu partido preferia apoiá-lo. A saída dele foi considerada uma grande perda do partido.

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