São Paulo, 09 (AE) - O PSDB paulista, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e o vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, estão sintonizados numa ofensiva para convencer o diretório nacional do partido, o governo e o presidente Fernando Henrique Cardoso a mudar a orientação da política econômica e a tirar o País da estagnação.O ex-ministro atenuou as críticas fortes feitas ao governo sexta-feira (06), em seminário, em São Paulo. Mas foi o teor do que disse antes - e, hoje, afirmou que não era bem assim - que atraiu para a reunião do diretório estadual os deputados estaduais e federais do partido, Covas, secretários de Estado e o ministro da Saúde, José Serra.
A discussão do cenário econômico, a portas fechadas, foi a peça de resistência da reunião. "Existem indicações de que o nível de aceitação do governo está em queda; esse é um momento em que a discussão da política econômica e de novos rumos tem todo o sentido", afirmou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), justificando a convocação do encontro para discussão do cenário econômico.
O ex-ministro amenizou o pronunciamento feito na sexta-feira, enquanto os outros presentes à reunião, embora se preservando, não apenas assinaram embaixo do que falou Barros, como atribuíram a ele total sintonia com o partido paulista e com Covas. "Não, não, falei em tese", disse Barros, quando indagado se era ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que se referia quando criticou os "burocratas do governo", na semana passada. Mas foi justamente a "burocracia" econômica o alvo da reunião de hoje e, de acordo com um dos parlamentares presentes ao encontro, o grande descontentamento do partido paulista, na reforma ministerial.
"O poder de decisão de política econômica é burocrático e impermeável a mudanças", disse um parlamentar federal presente ao encontro. "Se o País não sair da estagnação econômica, não existe projeto PSDB-2002", afirmou, referindo-se à eleição em que será escolhido o sucessor de Fernando Henrique. "Nós precisamos dar uma perspectiva para a população."
"O alvo não é o ministro da Fazenda", explicou um parlamentar. Segundo ele, Malan é só um dos tentáculos de uma burocracia que imobiliza e mantém o governo atrelado numa receita monetarista de gestão do dinheiro público. "Não é verdade essa separação entre monetaristas e desenvolvimentistas porque uma coisa não existiria sem a outra; mas é impossível manter a economia engessada como está", disse um parlamentar.
Daí, decorre a principal insatisfação do PSDB paulista com a reforma ministerial, segundo outro parlamentar. Embora o partido - e, em particular, São Paulo - tenha sido fortalecido na articulação política, não ocorreu nenhum abalo na estrutura consolidada da equipe econômica. A ida de Pedro Parente para a Casa Civil, na interpretação de interlocutores ligados a Covas, vem consolidar essa posição - embora, pessoalmente, Parente seja considerado de fácil acesso.
No PSDB paulista, considera-se que o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), seja o grande avalista da equipe econômica. A estocada de ACM em Malan - a quem acusou de nunca ter atendido um pobre - foi motivo de uma ironia de Barros hoje. "Não sei qual o problema de ACM: até bem pouco tempo, ele era um dos grandes defensores da política econômica do governo", disse o ex-ministro.
Covas, por sua vez, reagiu com ironia às declarações de ACM segundo as quais Fernando Henrique sofre grande influência de setores paulistas do PSDB, em particular do ministro da Saúde
José Serra, e do governador.
"Todo mundo sabe que isso é verdade: quem manda no presidente sou eu", brincou Covas, pouco depois de participar do encontro do diretório estadual do partido, em São Paulo. "Por exemplo, quem mandou nomear o Luiz Carlos Santos para a presidência de Furnas fui eu", ironizou o governador, numa referência ao ex-ministro da Administração e companheiro de partido de ACM.

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