PSDB cobra saída de Campelo da PF
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 17 (AE) - Políticos aliados ao governo consideram cada vez mais difícil a permanência do delegado João Batista Campelo, empossado nesta semana no comando da Polícia Federal. A Executiva Nacional do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiu hoje recomendar a demissão do delegado
acusado de ter praticado tortura durante investigações conduzidas na década de 70. A posição do partido foi tomada em uma reunião em que participaram 27 integrantes da cúpula tucana para ouvir o ministro da Saúde, José Serra. Algumas lideranças do PSDB avaliam que Campelo deverá deixar o governo até o início da próxima semana.
"Campelo ficou sem condições políticas de permanecer no cargo", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). Segundo ele, independente de o diretor da PF ser ou não inocente das acusações que lhe atribuem, durante os últimos dias criou-se um ambinete desfavorável para a sua permanência em um posto de confiança do governo. "Ele não tem condições de ficar com provas ou sem provas", cobrou o senador, ressaltando que esta é uma posição do partido e não do Palácio do Planalto.
Teotônio disse ainda que em uma conversa que teve com Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto, o presidente lhe garantiu que "não admitiria Campelo em seu governo caso ficasse comprovado o envolvimento do diretor da PF com práticas de tortura". "Afinal, direitos humanos é uma cláusula pétrea do PSDB", acrescentou.
As declarações de Teotônio foram reforçadas por outros tucanos. "Politicamente é incompatível a pessoa do delegado Campelo com o cargo que ele ocupa", avaliou o secretário-geral do partido, deputado Márcio Fortes (PSDB-RJ). O líder no partido no Senado, Sérgio Machado (PSDB-CE), chegou a cobrar uma posição imediata do governo. "Depois dos dois depoimentos na Câmara dos Deputados, já existem elementos para tomar uma decisão rapidamente", avisou Machado, referindo-se aos depoimentos prestados por Campelo e pelo ex-padre José Antônio Monteiro, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. "Essa decisão tem que sair ainda esta semana ou no máximo até o início da próxima semana", avaliou Machado. "Afinal, não dá para ficar com uma pessoa no comando da PF sob suspeita", ponderou o líder tucano.
Curiosamente, a reunião da executiva tucana tinha como objetivo aproximar o partido de seus ministros. Por isso, a presença de José Serra. Os tucanos garantiram que enquanto o ministro esteve presente ao encontro, não se tocou no assunto relativo a demissão de Campelo e, ao sair da reunião, Serra negou-se a falar sobre a saída do diretor da PF. Antes da inidicação do nome de Campelo, um dos nomes mais fortes para o cargo era o do delegado Marcelo Itagiba, assessor especial do ministro da Saúde.
O PSDB também divulgou uma nota oficial apoiando o parecer do deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) à reforma do Judiciário. Segundo a nota, a solidariedade foi uma iniciativa do partido tendo em vista as manifestações contrárias ao parecer. "A maioria do partido apoia o relatório de Aloysio, mesmo com a extinção da Justiça trabalhista, como defende o senador Antonio Carlos Magalhães", disse Teotonio Vilela. Ele também voltou a ressaltar que a aliança com o PFL e o PMDB é fundamental.


