PSDB assume todos os cargos de coordenação política
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domingo, 18 de julho de 1999
Por César Felício 
Brasília, 19 (AE) - O PSDB assumiu hoje todos os cargos formais referentes à coordenação política do governo. No mesmo instante em que o presidente Fernando Henrique Cardoso empossava o deputado Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP) como secretário-geral da Presidência, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) anunciava que fora indicado para ser o novo líder do governo no Senado.
A informação foi confirmada por Ferreira Filho e pelos líderes do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). Além destes tucanos, o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, eleito deputado pelo PSDB mineiro, é outro articulador político do governo.
É a primeira vez que um único partido detêm todos estes cargos, desde que Fernando Henrique tomou posse, em janeiro de 1995. A maior concentração de funções políticas nas mãos de um partido ocorreu anteriormente, em 1997, quando o PFL tinha o ministro extraordinário da Coordenação Política (Luís Carlos Santos), o líder do governo no Senado (Élcio álvares) e o líder do governo na Câmara (Luís Eduardo Magalhães). A liderança do governo no Congresso, contudo, era do tucano Arruda.
Para Ferreira, a concentração da coordenação nas mãos do PSDB não irá gerar problemas com o PMDB e o PFL, que possuem bancadas no Congresso maiores que a dos tucanos. "Somos todos pessoas maduras e líderes e coordenadores são interlocutores do presidente, e não dos partidos", disse o novo ministro. O próprio Arruda também minimizou a concentração. "Exercer estas funções são ônus para os partidos, e não bônus", disse.
As reações, entretanto, começaram e partiram do PMDB, que perdeu a liderança do governo no Senado. "O presidente está demonstrando uma confiança extrema no PSDB, e vai caber aos tucanos a responsabilidade por tudo que acontecer no Congresso a partir de agora", disse o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O parlamentar fez uma advertência: "O processo de reforma ministerial foi malconduzido e o PMDB está ressentido com a forma pela qual Renan Calheiros foi afastado do Ministério da Justiça; portanto, que ninguém se engane em relação aos ministros do PMDB: tanto o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, quanto o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, são partidários e não vão entrar em confronto com a legenda."
Ferreira, hoje mesmo, começou a atuar como articulador, junto à equipe tucana de coordenadores. Ele reuniu no Palácio do Planalto, no início da noite, Veiga, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e os líderes do governo no Congresso. O objetivo era a separação de funções entre Ferreira e Veiga, que continua encarregado da coordenação política, além de elaborar a agenda de prioridades do governo no Congresso no segundo semestre.
Entre os tucanos, a expectativa é que o novo ministro obscureceça o papel de Veiga como interlocutor junto a outros partidos. "Quem vai negociar em nome do presidente junto a todos os partidos é o Aloysio; o Pimenta vai ficar como a caixa de ressonância do PSDB dentro do governo, assim como o ministro dos Transportes Eliseu Padilha, faz o mesmo pelo PMDB e o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, pelo PFL", disse um dirigente do PSDB.
Um sinal disso é que um dos temas da reunião foi a retomada do esforço do governo para a votação das reformas constitucionais. Pessimista com a capacidade de mobilização do Congresso, Veiga afirmou publicamente há semanas não acreditar que o governo tivesse êxito nas votações do Legislativo que exigissem quórum qualificado. Mas os outros tucanos encarregados da articulação política não são da mesma opinião. "A Casa Civil deverá mandar em breve a nova emenda constitucional restabelecendo a exigência da idade mínima para a aposentadoria", disse Madeira, para quem "não há porquê ser pessimista, já que o governo perdeu esta votação por apenas um voto".
A prioridade da bancada governista em agosto, contudo, será a votação da Lei da Responsabilidade Fiscal na Câmara. "Esta votação vai definir se o Brasil é ou não viável a curto prazo", disse Virgílio Neto. Os coordenadores políticos do governo também irão se esforçar para que a reforma tributária na Câmara chegue até a fim do ano, ao menos, em condições de ser votada pelo plenário da Casa. "Se a reforma tributária não avançar este ano, a tarefa passará para o sucessor de Fernando Henrique e, dentro de cinco anos, o Brasil será um pedinte no cenário internacional", afirmou o líder do governo no Congresso. No Senado, a prioridade da bancada governista será a votação da reforma política.


