PSDB articula para levar Mendonça de Barros de volta ao governo
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por J. Paulo da Silva 
Rio, 20 (AE) - O novo líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), diz que os tucanos buscam soluções para resolver seus conflitos internos, querem conciliar os aliados para garantir governabilidade ao presidente Fernando Henrique Cardoso e se articulam para reconduzir ao governo o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ele foi afastado do cargo, no ano passado, depois do escândalo da escuta telefônica clandestina no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A idéia que circula entre os tucanos é que, tão logo a Justiça declare Mendonça de Barros inocente no caso, ele assuma o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O titular da pasta, Celso Lafer, seria deslocado para outro ministério.
O sucesso das articulações dos tucanos, contudo, dependerá do esforço do próprio Mendonça de Barros. Apelos lhe serão feitos para que modere as palavras, tenha boas relações com os aliados e evite mais desentendimentos. "Queremos tê-lo de volta ao governo, mas é preciso construir viabilidade", disse Virgílio, nomeado líder esta semana pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O parlamentar disse não ter certeza se Mendonça de Barros iria mesmo para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, pasta que teria sido criada para ele.
O líder anunciou que, na próxima semana, em reunião da executiva do PSDB, pedirá uma trégua ao ex-ministro. O pedido deve-se ao mal-estar provocado por suas declarações, feitas no sábado, de que "o confronto entre o PSDB e o PFL sobre os rumos da economia seria inevitável". "O importante é garantir governabilidade ao presidente Fernando Henrique, conciliando os aliados", ressaltou. O parlamentar considera "descabido" o antagonismo na discussão sobre desenvolvimento, na qual estão, de um lado, Mendonça de Barros e o ministro de Ciência e Tecnologia, Bresser Pereira, e do outro, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
"Acho que não é hora de atear fogo no paiol", disse Virgílio. "Não vejo contradição entre os desenvolvimentistas e os não-desenvolvimentistas." Segundo ele, Mendonça de Barros passou quatro anos e meio no governo e sabe que não há hipótese de fazer desenvolvimento sem inflação baixa. O parlamentar explicou que a meta do governo é criar capitais excedentes e investir no social. "O que não podemos é criar excedentes imprimindo moeda e provocando inflação", argumentou, em defesa da atual política econômica. "Acho difícil alguém fazer diferente do que fazem Malan e Armínio Fraga."


