Rio, 02 (AE) - O PDT e o PSB suspenderam as negociações para uma possível fusão em uma nova legenda, o PTS (Partido Trabalhista Socialista), e, assim, escapar às exigências da reforma política, que ameaça os pequenos partidos. O motivo foi a reação negativa de integrantes do PSB à notícia de que as agremiações tinham formado uma comissão para discutir o assunto. "Não existe nenhuma comissão", disse hoje o secretário de saneamento do Rio, Alexandre Cardoso, que integra a executiva nacional do PSB. "O que existe é um conjunto de pessoas autorizadas a estudar alternativas."
Segundo o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, o grupo, formado após reunião, em Brasília, no último dia 21, com a presença do presidente nacional do PSB, Miguel Arraes, deveria examinar a situação dos dois partidos em cada Estado e discutir a viabilidade da fusão. PSB, PDT e PC do B há cinco meses discutem a possibilidade de se juntar.
A decisão de formar a comissão para acelerar a fusão foi acertada por Brizola e Arraes no encontro. Dele, também participaram os deputados Paes de Andrade (CE) e Marcelo Barbieri (SP), integrantes do PMDB oposicionista. Especulou-se na ocasião que o novo PTS lançaria a candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), à Presidência da República. Para parte da cúpula socialista, a insistência de Brizola nesse ponto teria como alvo o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que quer ser candidato a presidente em 2002.
Embora a maior parte da cúpula do PSB tenha descartado, no momento, juntar-se a outro partido, o processo é uma possibilidade que poderá se confirmar até setembro quando se espera que a reforma política tenha sido votada no Congresso Nacional. Nesse caso, dispositivos como a cláusula de barreira (votação mínima) para ter representação no Congresso e proibição de coligações forçariam os pequenos partidos de esquerda a se juntar numa só legenda.

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