PSB lança candidato à prefeitura do Rio
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de janeiro de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 16 (AE) - O PSB afastou, oficialmente, qualquer possibilidade de abrir mão de candidatura própria em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte nas eleições municipais. Em convenção estadual, que reuniu cerca de 2 mil pessoas hoje, no Canecão, na zona sul do Rio, os socialistas lançaram o deputado Alexandre Cardoso como candidato à prefeitura do Rio. E reafirmaram os nomes do prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro, e da ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, como candidatos.
"Chegou a hora de o PSB deixar de se prestar a ser um partido auxiliar, precisamos ter candidatos próprios onde for possível, para consolidar o PSB para 2002", discursou Erundina. "É preciso ousar para, quem sabe, termos um candidato próprio a presidente." Além de Erundina e de Célio de Castro, participaram do encontro o presidente nacional do PSB, Miguel Arraes, do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, e de dois convidados ilustres - o ex-governador Leonel Brizola, do PDT, e o ex-deputado Wladimir Palmeira, do PT, agraciados com a comenda Bertolt Brecht.
Apesar da justificativa oficial de homenagem aos convidados em nome do que fizeram pelo País, a presença dos dois foi mais uma jogada política do PSB, encarada, segundo alguns socialistas, como um recado ao governador Anthony Garotinho e à sua vice, Benedita da Silva.
Brizola tem defendido a candidatura própria do PDT à prefeitura, mas nos bastidores já se admite discutir uma coligação entre pedetistas e socialistas, com Alexandre Cardoso na cabeça de chapa. Já Palmeira faz parte do Refazendo, grupo que se opõem à candidatura de Benedita à sucessão municipal, como quer Garotinho. "Numa próvavel disputa com Benedita, certamente o Refazendo fecharia conosco", afirma um assessor próximo a Cardoso.
Frouxa - Ronaldo Lessa aproveitou o encontro para criticar PCdoB, PPS e o PT de Alagoas, que chamou de "frouxos" e "tímidos" por terem se desligado de seu governo. Na quarta-feira, os partidos entregaram as secretarias que tinham (Agricultura e Trabalho e Ação Social), após acusarem o governador de ter se aliado a setores conservadores ligados ao ex-presidente Fernando Collor.
"A minha preocupação era não transferir essa briga para fora do Estado, mas é isso que eles estão fazendo, ao dizer que estou ligado a Collor", afirmou. "Se (a briga) ficar restrita a Alagoas, tudo bem, vamos enfrentá-los, até porque queremos estar unidos nacionalmente." O governador prevê, porém, que a esquerda estará dividida na disputa pela prefeitura de Maceió, admistrada pela socialista Kátia Borges, que buscará a reeleição.


