Brasília, 26 (AE) - O presidente do PSB, Miguel Arraes, criticou hoje os partidos de esquerda que, segundo ele, fazem oposição "bastante moderada" ao governo federal. Segundo Arraes, a oposição tem sido tolerante com o governo em troca de concessões pontuais. "Não é por aí", advertiu. "O papel da oposição não é só de embaraçar o governo, é falar para a população, apontando com números o que está certo e o que está errado, em um processo educativo", aconselhou Arraes.
Para o presidente do PSB, é preciso uma ação conjugada de forças para mudar o modelo econômico que vem sendo seguido pelo atual governo. "O mundo começa a sentir os efeitos de um modelo econômico extremamente concentrador de riquezas", avaliou, mencionando análises nesse sentido de Tony Blair, primeiro-ministro britânico, e Lionel Jospin, primeiro-ministro francês. Arraes criticou os partidos de esquerda que se propõem a alargar as forças juntando "seja quem for do seu lado" para chegar ao poder. "Temos que ampliar alianças, mas com aqueles que tenham o objetivo fixado em mudar o modelo que está aí", afirmou, descartando indiretamente uma aliança com o PPS de Ciro Gomes.
"Ciro, pela fala dele, se propõe a ser um gerente melhor do que Fernando Henrique desse modelo que está aí, não se propõe a mudar", analisou. Arraes também lançou críticas às correntes do PT e do PDT que defendem o afastamento da esquerda das teses do socialismo como estratégia para aumentar o leque de apoio da sociedade e chegar ao poder. "Para ganhar a eleição é preciso colocar o socialismo na frente, explicando-o e progredindo na direção das questões sociais", considerou. "O socialismo não deve ser posto de lado, mesmo que não possa ser aplicado hoje ou amanhã, mas a humanidade não pode ser submetida ao capital financeiro", concluiu.
"Muita gente acha que é melhor dar um jeitinho, esse jeitinho não existe, e não em função das pessoas, mas da realidade econômica que é preciso reverter", sustentou Arraes, que também reafirmou a impossibilidade de uma eventual aliança do PSB com o PDT. "Não é fácil fundir com ninguém um partido histórico como o socialista; nem com a reforma política, nem com a clandestinidade", justificou. Arraes está participando do congresso do PSB, que elegerá no próximo domingo seu diretório nacional.

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