PS não obtém maioria absoluta no parlamento
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sábado, 09 de outubro de 1999
Por Jair Rattner, especial para a AE 
Lisboa, 10 (AE) - Em eleições em que ocorreu um crescimento da esquerda, o Partido Socialista, atualmente no governo português, não conseguiu obter a maioria absoluta do parlamento. Na votação realizada hoje, depois de apurados mais de 98% dos votos, o PS obteve 43,9% do total, o Partido Social Democrata (centro-direita) 32,3%, o Partido Comunista Português 9%, o Partido Popular (direita) 8,4% e o recém-formado Bloco de Esquerda 2,45%.
A abstenção foi mais alta do que há quatro anos: 39% dos eleitores deixaram de votar. Dos quatro partidos que já tinham participação no parlamento, todos perderam eleitores, apesar de aumentarem suas percentagens. Faltando apurar apenas 11 mesas eleitorais e os quatro deputados eleitos pelos imigrantes, o PS elegeu 111 deputados, o Partido Social Democrata obteve 79 deputados, o Partido Comunista Português alcançou 17%, o Partido Popularteve 14 deputados e o Bloco de Esquerda. É impossível o Partido Socialista atingir os 116 deputados, o que corresponde a mais de metade do parlamento.
Para o primeiro-ministro Antônio Guterres, os resultados significam a manutenção do governo com a maioria relativa: "Foi a nossa maior vitória eleitoral. É inequívoco que o eleitorado exprimiu a vontade de que o Partido Socialista continue a governar em diálogo, respeitando as posições da oposição e os direitos dos cidadãos". Para o principal líder da oposição, José Manuel Durão Barroso, é apenas um passo para daqui a quatro anos subir ao poder. "O Partido Socialista ganhou as eleições. Mantenho o sonho de levar o Partido Social-Democrata de volta ao governo".
Durão Barroso chegou à liderança do partido há apenas quatro meses e vem sofrendo contestação dentro do partido. No PSD, o anúncio de que o PS não tinha alcançado a maioria absoluta foi festejada pelos militantes. A grande mudança em relação às eleições anteriores ocorreu na esquerda. Pela primeira vez desde 1983, o Partido Comunista conseguiu aumentar sua votação. O PCP poderá chegar aos 118 deputados. "Alcançamos nossos objetivos de aumentar a votação e o número de deputados"
disse o secretário geral do partido, Carlos Carvalhas.
Mas a maior festa foi a do Bloco de Esquerda, uma aliança entre ex-membros do PCP, trotsquistas, ex-maoistas e independentes. Formado recentemente para as eleições européias de maio, na segunda eleição em que participou conseguiu eleger dois deputados. Reivindicações locais - Apesar de serem eleições nacionais, muitas vilas tentaram chamar atenção para seus problemas locais. Este ano, foram oito boicotes eleitorais, por questões que vão desde a falta de água e saneamento até a necessidade de melhoria de estradas. Nesses casos, a eleição é repetida no próximo domingo, o que atrasa o resultado final da eleição.
O objetivo dos boicotes é repetir o que aconteceu em 1991 com o bairro de Dona Maria, a 35 quilômetros de Lisboa - os votos da freguesia poderiam fazer a diferença entre mais um deputado para o governo ou a oposição. Na época, os habitantes deram o deputado para a governo e depois tiveram água encanada em casa. Nestas eleições, três deputados estão pendentes dos resultados dos locais que boicotaram a votação.


