Londrina- Com a garantia de que a Prefeitura havia feito o pagamento das autorizações para internação hospitalar (AIHs) de agosto, os médicos plantonistas do Instituto do Câncer de Londrina (ICL) decidiram ontem à noite retomar os atendimentos aos pacientes do SUS, com exceção apenas do plantão a distância. Assembleias também aconteceram no Hospital Evangélico (HE) e Irmandade Santa Casa, mas os resultados não haviam sido divulgados até o fechamento desta edição.
Ontem, a Prefeitura aumentou a pressão sobre os médicos plantonistas - que desde sexta-feira suspenderam os atendimentos nos prontos-socorros a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) - ameaçando entrar na Justiça para forçar a retomada do serviço. Além disso, denunciou supostas irregularidades descobertas após auditoria que analisou os repasses feitos aos profissionais.
Segundo o secretário de Gestão Pública, Marco Cito, mais de 80 médicos estariam recebendo em duplicidade, ou seja, estariam de plantão em hospitais diferentes no mesmo horário. Outra crítica do secretário é que haveria uma sobra de cerca de 20% do valor repassado aos hospitais para pagamento de incentivos aos médicos. ''Por que acontecia isso?'', questionou. As suspeitas foram encaminhadas ao Ministério Público, Câmara de Vereadores e Conselho Municipal de Saúde.
O diretor clínico da Santa Casa e um dos interlocutores dos médicos, Weber de Arruda Leite, disse que o assunto só será discutido depois que as denúncias forem recebidas por escrito. Na noite de ontem, os médicos plantonistas realizaram assembléias para decidirem se retomavam ou não o atendimento.
Até as 21 horas, apenas o Hospital do Câncer havia concluído a discussão. O diretor Cássio José de Abreu informou que os profissionais decidiram retomar o atendimento SUS hoje pela manhã, após a Prefeitura ter garantido o pagamento das AIHs de agosto, que estavam atrasadas.
''Ainda fica pendente o atendimento do plantão à distância, o que aqui representa muito menos do que nos demais hospitais. Pelo menos 98% do atendimento volta ao normal'', concluiu o diretor.
Também ontem foi publicada no jornal oficial a lei que autoriza o Executivo a pagar em até 72 horas a primeira de um total de seis parcelas de R$ 566 mil relativas aos valores atrasados nos repasses por plantões a distância e presenciais. A medida foi aprovada pelos vereadores na última sexta-feira.

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