Próximo governo receberá uma Argentina saindo da recessão Da enviada especial DENISE NEUMANN
Buenos Aires, 19 (AE) - O novo governo vai encontrar a Argentina saindo da recessão e diante de um cenário externo mais favorável. Esta avaliação foi feita, hoje (19), por um membro do atual governo, o secretário de Indústria e Comércio do país, Alieto Guadagni.
Ele ressaltou que essa recuperação está ocorrendo sem ajuda do Brasil. "Por enquanto, a reativação está ocorrendo por fatores que não estão relacionados ao Brasil", avaliou. Um bom indicador da recuperação é o risco país, medido em pontos acima da taxa básica de juros do mercado americano.
Depois de subir de 580 pontos em maio para 755 em julho passado, a taxa está hoje em 560 pontos, a mais baixa de todo o ano.
No conjunto, as exportações argentinas caíram 15% na comparação entre os primeiros oito meses de 1999 em relação ao mesmo período do ano passado. Quando essa queda é separada por destino - em estatística que compreende o resultado dos primeiros sete meses de cada ano -, as vendas para o Brasil caíram 31%, enquanto cresceram as exportações para os Estados Unidos (11%), Alemanha (20%), Espanha (22%), Tailândia (113%), Indonésia (79%), entre outros destinos.
"Entramos em uma fase favorável e os resultados mostram que não temos problemas globais de competição, mas sim problemas pontuais", argumentou Guadagni.
Dados da secretária de Indústria e Comércio da Argentina indicam que o país aumentou as vendas de produtos manufaturados (e não apenas agrícolas, onde há problemas de preço) para a União Européia, Nafta, Coréia e Japão. Para o Brasil, a principal causa da queda é a retração no comércio de material de transporte (carros e autopeças).
Em setembro, a produção industrial cresceu 2% na comparação com agosto e 6% em relação ao mês de julho. "Se este ritmo de mantém, em março de 2000 estaremos de volta ao nível recorde de produção industrial dos últimos anos", informou Guadagni. Entre os indicadores, se destacam o aumento do consumo de energia elétrica e de gás, considerados como antecedentes de produção industrial, e que cresceram 3,0% e 0,4%, respectivamente, em relação a setembro do ano passado.
Na avaliação da atual equipe econômica argentina, fatores externos vão ajudar a manter essa recuperação, entre elas o preço de várias commodities exportadas pela Argentina. O preço da nafta está 112% maior que o preço de dezembro do ano passado, enquanto em cobre a recuperação é de 16%, em trigo, de 6% e na soja, de 5%. "Com os preços atuais, as exportações argentinas de 1999 seriam US$ 1,2 bilhão maiores nos primeiros sete meses do ano", observou Guadagni.





