Província algodoeira será afetada
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE 
Buenos Aires, 15 (AE) - A imposição de cotas de importação para os produtos têxteis brasileiros prejudicaria grandes setores da própria Argentina. É o caso da província do Chaco, que exporta 90% de sua produção de algodão para o Brasil. O algodão representa 50% da economia chaquenha. Parte do algodão argentino vendido ao Brasil é fiado e tecido nas fábricas brasileiras, para retornar à Argentina na forma de tecidos ou roupas. Com a restrição, esse fluxo seria interrompido: as empresas brasileiras não comprariam da Argentina a matéria-prima
o que faria entrar em colapso as já paupérrimas províncias algodoeiras, dependentes do Brasil.
Alguns analistas entendem que a medida é contraproducente, benéfica apenas para algumas poucas e influentes empresas têxteis argentinas. Analistas observam que o atual governo argentino está de malas prontas para deixar o poder em dezembro. O próximo governo, seja qual for, será certamente rival político do presidente Carlos Menem e de seu grupo, o que torna improvável a permanência dos funcionários que controlam os destinos das relações comerciais do país.
Segundo analistas, os atuais burocratas tentam cair nas graças dos empresários argentinos antes de deixar o governo. E como as medidas indicam, as demonstrações de simpatia são exuberantes. De quebra, deixarão aos inimigos políticos uma bomba-relógio: conflitos comerciais com o Brasil, no momento em que o Mercosul está prestes a inaugurar a tarifa alfandegária zero, em janeiro de 2000.


