São Paulo, 01 (AE) - O iG, provedor de acesso gratuito à Internet, é a vítima mais recente dos hackers. Desde as duas horas desta madrugada, os internautas têm dificuldades em acessar o iG, recebendo mensagem de erro. Segundo o provedor, não houve violação da segurança. Os hackers teriam disparado um volume muito grande de tentativas de acesso, tornando o site indisponível. O Uol, maior provedor de acesso pago do País, também foi vítima desse tipo de atuação na sexta-feira.
Esse ataque é chamado pelos especialistas em segurança de Distributed Deny of Service (DDoS), ou negação de serviço distribuída. Com uma conexão simples, um hacker pode disparar de várias máquinas - daí o distribuída - milhares de pedidos de acesso a um site. Um provedor médio recebe entre 200 e 500 pacotes de mensagens por segundo em cada porta de roteador, mas com uma ação de hackers esse volume pode chegar a oito mil pacotes por segundo.
"Não tem servidor nem link que aguente", afirmou o diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Provedores de Internet do Rio (Abranet-RJ), Marcio Gomes. A Microlink, provedor de médio porte do Rio e Niterói, onde Gomes também é diretor de Tecnologia, foi vítima de um ataque DDoS no início de janeiro. Ele conseguiu identificar que a onda de acessos à Microlink passava pela rede da UUNet, subsidiária da americana MCI WorldCom, que é a controladora da Embratel. Mas Gomes disse não ter conseguido rastrear a origem do ataque por falta de colaboração da UUNet.
"Com certeza, esses ataques vão se proliferar", afirmou. Segundo o diretor de Tecnologia da Abranet-RJ, a inexistência de regulamentação da Internet obriga os vários usuários a algum tipo de colaboração para não violar a credibilidade da rede. "Não existe solução técnica", declarou. A origem de ações do tipo DDoS pode estar em qualquer lugar do mundo, segundo Gomes. Isso quer dizer que os ataques ao iG e ao Uol podem ter sido originados nos Estados Unidos, mas controlados do Brasil.
Uma solução "paliativa", na avaliação de Gomes, é a utilização de filtros para canais com os Estados Unidos. Mas como 80% do tráfego de visita a sites brasileiros passam pelos EUA, essa opção significaria perder visibilidade no exterior.