Provas do concurso da Saúde são canceladas
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Um erro na distribuição das provas coloca mais uma vez em risco a validade do concurso da Secretaria de Saúde de Londrina para contratação de 318 servidores. O problema ocorreu ontem à tarde no campus do Piza da Unopar, na zona sul. Candidatos ao cargo de assistente de enfermagem receberam prova para assistente de farmácia. No campus Catuaí, o concurso transcorreu normalmente.
Depois de muita confusão e princípio de revolta, o presidente da MS Concursos, Adalgizo Sarmento, anunciou o cancelamento das provas para três cargos: assistente de enfermagem da Saúde da Família e da Urgência Emergência, além de condutor socorrista. As provas para os outros 19 cargos continuam válidas. O cancelamento deve afetar pelo menos 3,5 mil do total de 11 mil candidatos que concorrem a 318 vagas para 22 funções.
Sarmento creditou o caso a um "equívoco" e disse que as provas serão reaplicadas em nova data, exclusivamente para os candidatos já inscritos. Ele teve de sair escoltado por policiais militares, que haviam sido chamados para conter a confusão.
O problema se iniciou com quatro turmas. Logo às 15 horas, a equipe de reportagem ouviu no rádio comunicador de um segurança a voz de uma mulher autorizando a distribuição das provas: "Pode distribuir, é só a capa que está trocada", ordenou. Vinte minutos depois, as primeiras quatro turmas deixaram as salas revoltadas. Os candidatos acusaram os seguranças de impedirem a saída. Diante da pressão, o portão foi aberto. Segundo Shirlei Pereira, houve intimidação por parte dos seguranças. "Nos mantiveram encarcerados por 20 minutos e disseram que se nós saíssemos seríamos prejudicados", contou.
Odair Mendes Villela, de Londrina, também se exaltou. "É um absurdo, não há mais qualquer credibilidade. Palhaçada", indignou-se. Para Alex Silva Ruiz, morador de Tangará da Serra (MT), o transtorno foi bem maior. Ele e três amigos viajaram 1,7 mil quilômetros para prestar o concurso. "É um total descaso. Não tenho nem palavras para mostrar minha indignação", reclamou.
Os candidatos se queixaram também da desorganização. Enquanto algumas turmas foram avisadas na sequência, outras ficaram até as 17 horas respondendo as questões com a prova já anulada. "Fomos feitos de idiotas. Teve gente que saiu daqui sem ser avisado", denunciou Gilberto Gonçalves Aguiar.
O subtenente da Polícia Militar Antônio Carlos Félix controlou a saída dos candidatos e recomendou aqueles que se sentiram lesados a procurar a 10ª Subdivisão Policial.
A sala de registro de boletim ocorrência da 10ª SDP ficou lotada e os candidatos foram orientados a procurar o 4º Distrito Policial na manhã de hoje. Alguns casos pontuais foram atendidos, como o de Silvana dos Santos Almeida, moradora de Naviraí (MS). A Polícia Civil deve abrir um inquérito para apurar as acusações.
O secretário de Saúde, Mohamed El Kadri, esteve no campus da Unopar ontem à tarde, mas não conversou com os jornalistas. Pela manhã, ele também acompanhou a realização das provas.
Esclarecimentos
O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) se manifestou em seu perfil do Facebook, mencionando que oficiou a comissão organizadora do concurso para fazer esclarecimentos sobre as ocorrências.
A maioria dos 11 mil inscritos para o concurso realizado ontem também participou da seleção em julho, que acabou sendo cancelada por inúmeras irregularidades.
No primeiro concurso, servidores da própria secretaria elaboraram as questões. Com denúncias de plágio e venda de gabaritos o concurso foi cancelado a pedido do Ministério Público (MP), que protocolou uma ação civil pública contra o ex-secretário de Saúde Francisco Eugênio de Souza e outros 14 servidores municipais. O episódio teve grande influência na saída de Eugênio do cargo.
De acordo com o MP, o prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 407 mil e a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens dos acusados. O concurso de ontem foi coordenado pela MS Concursos, de Campo Grande (MS), ao custo de R$ 215 mil. Problemas tornaram a ocorrer já na divulgação das inscrições deferidas, com nomes de candidatos incompletos ou com os campos vazios.
Atualmente, alguns serviços de saúde são mantidos por profissionais admitidos por meio de contrato emergencial. A expectativa da prefeitura era recompor o quadro com os concursados até o fim de fevereiro.
Manhã tranquila
Pela manhã, antes do início das provas do concurso público da Secretaria de Saúde, o clima era de desconfiança, mas tudo transcorreu com tranquilidade. "A gente fica sempre com um pé atrás, mas acreditamos que desta vez será diferente", frisou Márcio Chiaratti, que disputa uma vaga para professor de Educação Física.
Candidata para o cargo de enfermeira, Tissiane Soares, moradora de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), só reclamou de não ter conseguido receber a diferença dos valores de inscrição dos dois concursos. "Na primeira vez paguei R$ 70 e agora a taxa foi de R$ 50. Ainda não sei se vou conseguir reaver a diferença". (Colaborou Lucio Flavio Cruz)


