Provão teve participação de 94% dos inscritos, segundo Inep
São Paulo, 13 (AE) - O Exame Nacional de Cursos (Provão)
realizado hoje, teve o comparecimento de 94% dos 173.786 inscritos, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). "O índice de abstenção está dentro dos parâmetros de normalidade", disse Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Inep, ressaltando que a avaliação ocorreu em "clima de tranquilidade".
Em São Paulo, o Provão foi marcado por uma discreta manifestação de estudantes de medicina na frente do Colégio Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, um dos locais da avaliação. Terminada a prova, havia um sentimento de insatisfação entre os alunos, ou por considerarem o método de análise ineficaz, ou porque era domingo e gostariam de fazer algo mais interessante.
A cor preta, proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE) como forma de protestar contra o Provão, não foi vista nem nos membros da entidade. Os cerca de 30 alunos de Medicina que se concentraram no local queriam mostrar para o público, segundo os organizadores, que a melhor forma de se avaliar os conhecimentos do profissional de medicina é na prática.
Além de medir a pressão das pessoas que passavam pelo local, os estudantes distribuíram folhetos informativos sobre prevenção de várias doenças, como aids, dengue e tuberculose, e combate ao tabagismo.
"Não somos contra a avaliação da capacidade profissional do estudante, mas sim da forma como ela é feita", diz Régis Otaviano França Bezerra, coordenador regional da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), uma das 13 entidades que compõem a Comissão Interinstitucional Nacional de Avalição do Ensino Médico (Cinaem).
A Cinaem avalia os cursos de medicina desde 1992. Segundo Bezerra, o projeto do Cinaem é mais completo do que o Provão. "A comissão, além de verificar conhecimentos teóricos, também avalia habilidades e atitudes do profissional."
O Provão começou à 13h05 e os alunos só puderam deixar o local uma hora e meia depois de iniciado. Às 14h30, alguns alunos já se concentravam na saída, esperando o portão ser aberto. Júlio César Casarin, estudante de Direito do Largo São Francisco, foi o primeiro a sair. "Só tive o trabalho de ler as questões, mas não respondi nenhuma", disse. "Achei muito superficial, como esperava."
Os estudantes de Medicina foram os que demoram mais a entregar a prova. Marcelo Liel, aluno da Universidade Santo Amaro (Unisa), deixou o local às 15 horas, reclamando que as questões estavam muito confusas. "Não vejo eficácia nenhuma no Provão, só fiz porque é obrigatório", afirma.





