Provão teve adesão de mais de 93% dos graduandos, diz MEC
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - Mais de 93% dos graduandos de Administração, Engenharia Civil e Direito marcaram presença no Exame Nacional de Cursos, o provão, resultado comemorado ontem pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ainda não se sabe, contudo, o número de alunos que de fato respondeu aos exames.
Pelos dados divulgados pelo ministro, apenas 3,88% das provas foram deixadas em branco. Mas este porcentual não inclui aqueles que efetivamente não fizeram a prova, mas preencheram o questionário sócio-econômico. A variação dos percentuais pode comprometer a avaliação de alguns cursos, admitiu o MEC.
No dia do provão, 11 de novembro, os graduandos responderam a um questionário onde opinaram sobre a infra-estrutura (bibliotecas, laboratórios) de sua universidade e do corpo docente. De acordo com o coordenador do exame, Jocimar Archangelo, uma mesma ficha de leitura ótica é usada para o questionário e para a prova, ou seja, quem apenas respondeu ao questionário aparece como se tivesse feito também o exame.
Na época, por exemplo, as informações eram de que apenas dois dos 36 alunos de Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB) responderam ao exame. Mas, pelos dados do MEC, o percentual de provas em branco é zero. Archangelo avalia que o percentual real de provas em branco vai levar a um acréscimo de até 2%.
UNE A presença maciça dos alunos (93,59% de um total de 59.326) foi classificada pelo ministro como uma vitória diante do boicote preparado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e uma demonstração de que os próprios universitários entendem a necessidade de avaliar os cursos.
Esperava até 80% de presença, afirmou Paulo Renato, que já prepara para os dias 16 e 17 um debate sobre autonomia universitária e avaliação. A sociedade está insatisfeita com o setor privado, e valoriza a universidade pública, mas quer mais. As comissões especiais de avaliação visitarão primeiro os cursos que estiverem em pior situação. Até março serão divulgados os resultados da avaliação, considerando o provão e os questionários respondidos pelos alunos e pelas instituições. Ela servirá também para subsidiar o recredenciamento de cursos, feito a cada 10 anos.


