Brasília, 17 (AE) - Os três cursos estreantes do Exame Nacional de Cursos (Provão) - medicina, economia e engenharia mecânica - registraram o comparecimento de mais de 90% dos formandos. Medicina ficou com o maior índice (97,9%), apesar das ameaças de boicote e dos protestos de estudantes e entidades profissionais da área. Na engenharia mecânica, 96,6% dos inscritos fizeram a prova e, na economia, 92,7%.
Os elevados índices de presença dos graduandos dos três cursos ajudou a aumentar a média de participação no Provão: dos 173 mil inscritos de 13 cursos, 94,5% (163,9 mil) fizeram a prova, segundo balanço preliminar divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC).
Essa é a maior participação já registrada nas quatro edições do teste e deixou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, entusiasmado. "Foi espetacular", comentou sobre o exame
domingo.
Até o dia 30 o MEC divulga os novos cursos que serão avaliados no Provão de 2000. "Meu voto é para pedagogia e psicologia", brincou o ministro, dizendo que a decisão será tomada após discussão com os técnicos do ministério. Uma das objeções no próprio MEC à avaliação dos cursos de pedagogia é o custo da operação, uma vez que a prova teria de ser aplicada em cerca de 80 municípios onde funcionam apenas faculdades dessa área do conhecimento. O investimento neste ano no Provão foi de cerca de R$ 9 milhões.
No ano passado, fizeram a prova 92,3% dos inscritos nos dez cursos avaliados, sem considerar os 3,8 mil alunos de Belo Horizonte impedidos de realizar o teste por liminar concedida pela Justiça a pedido da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1997, participaram do exame 90,7% dos inscritos e, no ano anterior, 93,6%.
Adesão - O curso com maior adesão em todo o País este ano foi odontologia, que contou com a presença de 98,5% dos inscritos. Letras teve comparecimento de 90%, o mais baixo. Entre as regiões, o Sudeste ficou com 95,2%, o índice mais elevado, e o Norte com o mais baixo, 91,7%.
Tocantins liderou entre os Estados, com a adesão de 99% dos 503 formandos, enquanto no Amapá apenas 67,3% dos 281 alunos compareceram aos locais de prova. São Paulo, com 61,9 mil inscritos, registrou índice de presença de 95,3% . O coordenador do Provão, Tancredo Maia Filho, anunciou que a situação no Amapá e demais Estados com índice de presença inferior a 90% (Acre, com 79,5%; Roraima, com 89,9%; e Sergipe, com 87,1%) será investigada pelo MEC. "Vamos entrar em contato com as instituições para saber o que ocorreu", disse o coordenador.
"O comparecimento é reflexo da organização acadêmica das instituições", observou Maia Filho. Segundo ele, estudantes podem ter sido inscritos indevidamente no exame, enquanto outros podem ter deixado de fazer a prova por não ter cursado, durante o semestre, os créditos exigidos para a formatura.
Assim como no ano passado, a maioria dos graduandos que fizeram o Provão este ano é de mulheres (51,6%). Em 1998, esse índice foi de 53%. Pela primeira vez, o curso de medicina veterinária registrou maioria feminina de concluintes, com 50,6% de mulheres fazendo o teste.

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