As medalhas prometidas aos soldados que se destacaram no treinamento nunca apareceram. O que o microempresário Sebastião, 53, guarda do estágio de julho de 1971 é um diploma, fotografias da chegada dos jovens ao quartel - magros, sujos e esfarrapados - e uma revista do 20º Regimento de Infantaria, em Curitiba.
Em artigo publicado na revista, o então Segundo Tenente Marco Auvray Guedes alegava que o treinamento na Estação do Véu da Noiva se fazia necessário diante do despreparo dos militares brasileiros frente às táticas usadas pelos comunistas: as guerrilhas, nos moldes das empregadas por Fidel Castro, em Cuba.
Para combater essa ''guerra suja e cruel'', justificava o militar, era preciso ''adestrar o homem para raciocinar nas situações de grande tensão emocional, com fome, sede e frio''; adestrar o homem mediante doutrinação intensa a cumprir uma missão custe o que custar; dar oportunidade ao homem de conhecer o seu potencial físico e moral, pelas grandes privações que passa''.
A conclusão do tenente, no mesmo artigo, é que os soldados tornavam-se mais confiantes nos seus chefes e neles mesmos após o treinamento. ''(Os estagiários) portam-se de maneira muito superior a dos homens que não passaram pelo estágio''. (V.N.)

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