São Paulo, 29 (AE) - Os estudantes de São Paulo ouvidos pela reportagem acharam fácil a segunda avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Entrei imaginando fazer um exame superdifícil, mas me surpreendi", disse Simone Matias Ramos, de 17 anos. "É que nunca tinha participado de uma avaliação para medir habilidades."
Para alguns estudantes, o Enem foi mais simples que o vestibular do ano passado da Fuvest, que organiza o prova da Universidade de São Paulo (USP). O estudante Rafael Capello, de 16 anos, foi um deles. "A Fuvest exige o conhecimento de fórmulas e de dados e o Enem não", disse ele.
A maior parte dos estudantes, entretanto, achou o enunciado das questões muito longo. "Algumas perguntas trouxeram mais de um texto ou gráfico e isso até atrapalhou na compreensão do que eles queriam", afirmou Simone. Rodrigo Martucci, de 17 anos, também criticou o formato longo das questões. "Às vezes eu me perdia nos textos, mas consegui responder às questões."
Na opinião dos participantes, a avaliação apresentou muitas questões sobre o dia-a-dia que, em geral, são transmitidas pela televisão ou pelos jornais. "Uma das questões que achei interessante foi sobre o analfabetismo no Brasil", disse Renata Prado, de 17 anos, a primeira aluna a deixar a classe na Faculdade Oswaldo Cruz, na zona oeste.
Para Juliana Vidal, de 18 anos, as questões também exigiam lógica, por isso não estavam difíceis. "Foi necessário parar e pensar sobre o que estava sendo pedido para responder as questões", afirmou ela. "Muitas coisas que foram pedidas aprendemos na vivência e não na escola." Segundo Juliana, o Enem teve muitas questões de interpretação de textos.
Foi justamente a interpretação de textos que prejudicou Rafaela Paiva dos Santos de 17 anos, que faz colégio técnico em processamento de dados. "Estudei na escola muito pouco do que caiu no Enem", disse ela, explicando que no colégio a ênfase foi dada nas informações técnicas. A maioria afirmou que optou por fazer o Enem para ganhar alguns pontos-extras no vestibular. Todos os estudantes entrevistados esperam complementar a nota do vestibular.

mockup