Giovani Ferreira
De Curitiba
O clima de revolta entre os caminhoneiros está preocupando as entidades que representam o setor. Na reunião realizada anteontem em Ponta Grossa os integrantes do Movimento União Brasil Caminhoneiro foram categóricos ao afirmar que os protestos serão inevitáveis. Nélio Botelho, que no ano passado coordenou a greve nacional da categoria, esteve no Paraná e garantiu o bloqueio das 26 praças de pedágio no Estado.
Durante o encontro, que aconteceu em Ponta Grossa e reuniu pouco mais de 100 lideranças, ficou decidido que a passagem será liberada apenas para cargas perecíveis, remédios, ônibus de passageiros e automóveis. Ainda assim, eles pretendem abrir as cancelas e liberar a passagem pelas praças de pedágio sem o pagamento da tarifa. Os líderes devem se dividir em grupos, que devem ocupar as praças a partir das 7 horas da manhã de segunda-feira.
Botelho entende que uma paralisação no Paraná pode ter um efeito cascata e prejudicar o transporte em toda a região Sul e Sudeste do País. Em sua avaliação isso seria o início de uma nova greve nacional, forçando o governo paranaense a rever o reajuste das tarifas. O que o movimento pretende é que o governador Jaime Lerner suspenda o aumento concedido tanto para automóveis como para caminhões.
‘‘Tenho certeza que o governador vai dar uma solução em questão de horas’’, disse Botelho, prevendo o reflexo da paralisação anunciada pelos caminhoneiros. As entidades paranaenses como o Setcepar, a Federação dos Transportadores de Cargas do Paraná (Fetranspar) e o Sindicato dos Motoristas Autômonos do Paraná (Sindican) não reconhecem a liderança de Botelho e nem a mobilização do Movimento União Brasil, mas por outro lado também temem a reação dos caminhoneiros. Rui Cichella, do Setcepar, disse que o comportamento será imprevisível.
Repúdio O aumento no pedágio no Paraná preocupa o presidente da Associação dos Usuários da Rodovias Estaduais, Paulo Ferreira Muniz. Segundo ele, a sociedade precisa se organizar e repudiar o excesso de tarifas públicas. ‘‘As privatizações só estão beneficiando empresas gananciosas que não dão o mínimo valor para o lado social da população atingida’’.
Muniz disse que a Associação vai continuar buscando o apoio de outras entidades civis constituídas para brigar contra os pedágios. Amanhã (segunda-feira), ela realiza uma assembléia em Ponta Grossa onde deverá discutir novas estratégias de atuação.
A Associação defende o gerenciamento das rodovias pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a criação de uma agência de regulamentação das concessões e privatizações no Paraná. ‘‘Temos o direito de ser representados e opinarmos durante as discussões de privatização. Não podemos ficar de braços cruzados assistindo o enxugamento na renda do trabalhador brasileiro’’. (Colaborou Betânia Rodrigues).