Porto Alegre - A invasão de um edifício no centro da cidade, a queima simbólica do dólar e do euro e um protesto dos policiais civis contra o governo do Estado foram ontem as primeiras manifestações paralelas ao Fórum Social Mundial. Houve, ainda, um assassinato no Acampamento Mundial da Juventude, no Parque da Harmonia, decorrente de uma briga entre catadores de lixo que não participavam do evento.
Cerca de 300 pessoas do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia arrombaram a porta do Edifício Sul América, na avenida Borges de Medeiros, à 1 hora da madrugada, e instalaram-se em dois dos 12 andares do prédio. Ao amanhecer, anunciaram que pretendem ficar no local até que o governo federal admita discutir uma política de habitação popular subsidiada.
O prédio, desocupado há vários anos, está em processo de aquisição pela Caixa Econômica Federal, para inclusão, após reforma, no Programa de Arrendamento Residencial, que vai locar moradias por 15 anos e oferecer preferência de compra ao ocupante. ‘‘Queremos mostrar ao mundo que existem 17 milhões de famílias brasileiras sem moradia’’, disse Anselmo Schwertner, um dos líderes do movimento. Durante a manhã, os invasores receberam visitas de apoio de militantes italianos e franceses.
Em frente ao Edifício Sul América, ao meio-dia, policiais civis pediram prioridade à segurança pública e protestaram contra o governo do Estado, que estaria ‘‘enxovalhando’’ a categoria ao citar, sem apontar os responsáveis, a existência de uma ‘‘banda podre’’ na corporação.
Na rua Sete de Setembro, em frente à sede do banco Santander, 60 pessoas vinculadas ao Sindicato dos Bancários e ao PSTU queimaram uma célula de papel simulando uma nota de dinheiro gigante, com um dólar desenhado num lado e um euro no outro. Condenavam a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), os banqueiros e o governo israelense.
A Polícia Civil registrou a morte do catador de latas Jair Gonçalves do Rosário, de 41 anos, ao amanhecer de ontem. Ele foi esfaqueado no Parque da Harmonia, próximo ao centro da cidade, onde foi formado o Acampamento da Juventude, núcleo de participantes do Fórum Social Mundial.
O pintor desempregado João Luiz Gonçalves de Oliveira, de 44 anos, com ficha policial, disse que deu uma facada em Jair durante discussão entre os dois e foi preso. A polícia informou que nenhum deles é integrante do acampamento.

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