Londrina - Depois de um mês de greve, a volta às aulas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) ontem foi marcada por protestos. Calouros e veteranos de diversos cursos fizeram uma mobilização pelo campus reivindicando a entrega da ampliação e reforma do Restaurante Universitário (RU). Atrasadas, as obras começaram em junho do ano passado e tinham previsão para serem concluídas em março. O prazo foi estendido agora para meados de julho.
"Só queremos que o governo coloque a educação como prioridade. Nossa situação não é boa e pode ficar pior. Já saímos de férias no ano passado com um corte de verbas", disse uma das organizadoras do protesto, a estudante de História Ana Rosisca, de 25 anos. Segundo ela, sem RU, os estudantes receiam que o preço da alimentação em lanchonetes e restaurantes próximos à universidade subam. "Alunos, professores e funcionários precisam do RU, é toda uma comunidade", reforçou.
Cerca de 14,5 mil universitários estão voltando às atividades na UEL. Por conta da greve, o calendário letivo precisou ser revisto. No primeiro semestre, as aulas seguem até o dia 31 de julho. Haverá um recesso de 1º a 12 de agosto. Já o segundo semestre terá aulas de 13 de agosto a 22 de dezembro. Os exames finais devem ocorrer de 11 a 15 de janeiro do ano que vem. Apesar da mudança, a data da formatura foi mantida pela direção da UEL. As cerimônias ocorrem de 17 a 20 de fevereiro de 2016. Compensações de aulas perdidas também poderão ser feitas aos sábados e feriados.
"Precisamos nos readequar porque os alunos devem ter 200 dias letivos de aula, conforme prevê a Lei de Diretrizes Básicas da Educação", explicou a diretora de Ação Pedagógica da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), Maria Helena Guariente. Ela assinalou que o fato de nenhum conteúdo ter sido ministrado neste ano, até a greve, fez com que o calendário tivesse de ser estendido por mais tempo. "Essa greve não pegou o ano letivo em andamento. É agora que vamos começar tudo", pontuou.
Quem perdeu um mês de aula disse reconhecer a necessidade da paralisação, mas não escondeu o desconforto pela situação gerada. É o caso da aluna de Relações Públicas Nataly Ferreira, de 20 anos, que veio de Sorocaba (SP) para estudar em Londrina. "Fiquei acompanhando as notícias, mas parada em casa, em Sorocaba. Tive que pagar um mês de aluguel sem morar em Londrina", relatou. E não foram só os calouros que ficaram ansiosos pelo retorno. A aluna do 3º ano de Serviço Social Yoko Nagay, 52, comentou que os estágios do curso terão de ser adaptados de acordo com o novo calendário letivo. "Apreensão maior ainda é para quem vai se formar", observou.

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