A Conferência Nacional contra o Racismo e a Intolerância terminou ontem, no Rio, com protestos de entidades da sociedade civil contra o governo federal e a cobrança de políticas efetivas de combate à discriminação. Índios, ciganos, homossexuais, prostitutas, deficientes físicos e principalmente negros apresentaram moções de repúdio à conferência. Algumas entidades chegaram a abandonar a plenária de encerramento.
Foi lançado o ‘‘Plano Nacional de Combate ao Racismo’’, um documento que resultou dos debates dos grupos, com propostas para combater o racismo e a discriminação no País. As propostas serão levadas ao comitê preparatório da posição brasileira para a Conferência da ONU contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância, que acontece em setembro na África do Sul.
Os militantes, porém, ficaram irritados porque esperavam o anúncio de medidas concretas do governo. Só do representante do Ministério do Trabalho veio o anúncio da destinação de 20% dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) usados em capacitação profissional para os grupos de negros e pardos.
O embaixador Gilberto Saboia, secretário de Estado dos Direitos Humanos e representante do governo federal, disse também que, na próxima reunião do Conselho Federal de Educação, haverá a participação de um membro da comunidade negra, com a discussão de políticas de inclusão. A garantia de acesso dos negros e outras minorias a universidades e outras posições de destaque é, na avaliação do embaixador, uma das propostas mais importantes do documento.
‘‘Queremos o anúncio de pelo menos uma medida concreta até a conferência da África do Sul, ou o governo brasileiro não conseguirá levar uma posição unificada com a sociedade civil à ONU’’, afirmou Ivanir dos Santos, representante do movimento negro no comitê.

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