Protestos dominam final do Fórum
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de janeiro de 2001
Agência Estado De Porto Alegre 
Um dia antes de seu encerramento, o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, transformou-se ontem em palco para manifestações que misturaram sindicalistas, drag queens, capoeiristas, homossexuais, trabalhadores sem-teto, feministas, delegados e curiosos ao encontro - todas ruidosas e com extensas pautas de reivindicações. Conscientes de que, a partir de hoje, as atenções da mídia nacional e internacional deixarão a cidade, partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e até uma estatal estadual resolveram aproveitar as últimas horas da reunião para defender seus pontos de vista com barulho.
A gente apóia tudo que é ligado a trabalhador, explicou o sem-teto Cláudio Scherer, enquanto participava de um ato em um dos saguões da Pontifícia Universidade Católica: uma roda de capoeira em que se protestava contra a privatização do saneamento básico.
Coordenador do Movimento dos Sem Teto de Santa Maria da Boca do Monte, cidade a 300 quilômetros da capital, Scherer, com cerca de 30 pessoas ligadas à Invasão Santa Marta, enfrentou quatro horas de ônibus para chegar na última quinta-feira e participar de uma oficina sobre habitação.
Fantasiada de tartaruga, com casco e patas de plástico e um bandeirola com as palavras Não à privatização, a educadora ambiental Mara Pohlmanl, funcionária da estatal Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) disse que a participação no ato foi idéia da direção da empresa.A tartaruga tem tudo a ver com água, justificou.
Pouco antes, junto ao centro de imprensa, os capoeiristas do grupo Nação davam cambalhotas e gingavam ao som de atabaques e berimbaus. A cada minuto, morre uma criança por culpa do FMI (Fundo Monetário Internacional), gritavam. Não à privatização! Outros militantes o seguiram.
Feministas favoráveis à legalização do aborto desfilaram em círculo pela PUC, gritando palavras de ordem em português e espanhol. Nosotras decidimos e direito ao nosso corpo, berravam.


