Um dia antes de seu encerramento, o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, transformou-se ontem em palco para manifestações que misturaram sindicalistas, drag queens, capoeiristas, homossexuais, trabalhadores sem-teto, feministas, delegados e curiosos ao encontro - todas ruidosas e com extensas pautas de reivindicações. Conscientes de que, a partir de hoje, as atenções da mídia nacional e internacional deixarão a cidade, partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e até uma estatal estadual resolveram aproveitar as últimas horas da reunião para defender seus pontos de vista com barulho.
‘‘A gente apóia tudo que é ligado a trabalhador’’, explicou o sem-teto Cláudio Scherer, enquanto participava de um ato em um dos saguões da Pontifícia Universidade Católica: uma roda de capoeira em que se protestava contra a privatização do saneamento básico.
Coordenador do Movimento dos Sem Teto de Santa Maria da Boca do Monte, cidade a 300 quilômetros da capital, Scherer, com cerca de 30 pessoas ligadas à Invasão Santa Marta, enfrentou quatro horas de ônibus para chegar na última quinta-feira e participar de uma oficina sobre habitação.
Fantasiada de tartaruga, com casco e patas de plástico e um bandeirola com as palavras ‘‘Não à privatização’’, a educadora ambiental Mara Pohlmanl, funcionária da estatal Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) disse que a participação no ato foi idéia da direção da empresa.‘‘A tartaruga tem tudo a ver com água’’, justificou.
Pouco antes, junto ao centro de imprensa, os capoeiristas do grupo Nação davam cambalhotas e gingavam ao som de atabaques e berimbaus. ‘‘A cada minuto, morre uma criança por culpa do FMI (Fundo Monetário Internacional)’’, gritavam. ‘‘Não à privatização!’’ Outros militantes o seguiram.
Feministas favoráveis à legalização do aborto desfilaram em círculo pela PUC, gritando palavras de ordem em português e espanhol. ‘‘Nosotras decidimos’’ e ‘‘direito ao nosso corpo’’, berravam.

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