Buenos Aires, 11 (AE) - O trânsito de Buenos Aires entrou em colapso nesta terça-feira, quando mais de 100 mil manifestantes em diversos pontos do centro da cidade realizaram marchas protestando contra o corte orçamentário na Educação.
As manifestações foram o ponto alto da greve iniciada na segunda- feira pelos professores e estudantes das 36 Universidades públicas de todo o país, e ocuparam as praças do Congresso, a Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo e a praça do ministério da Educação.
Ontem, somaram-se à paralisação das Universidades todas as escolas públicas do país, primárias e secundárias. Além delas, também entraram em greve nesta terça-feira 70% das escolas e universidades privadas.
"A Educação é fundamental para o futuro e o presente de nossos filhos. Com este corte no orçamento, ficamos cada vez mais na marginalidade", afirmou o prêmio Nobel de 1981, Adolfo Pérez Esquivel, que participou das manifestações.
Além de Esquivel, também participaram as Mães da Plaza de Mayo e o prefeito de Buenos Aires, Fernando De La Rúa, candidato à presidência do país pela coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso.
O corte orçamentário, anunciado na semana passada pelo ministro da Economia, Roque Fernández, atingiu diversos ministérios. Mas, entre os principais prejudicados está o da Educação, que perderá US$ 280 milhões. O anúncio do corte foi a gota dágua para a renúncia da ministra Susana Decibe, que vinha nos últimos dois anos enfrentando pressões dos professores para o aumento dos salários. No seu lugar tomou posse Manuel García Solar, que avisou que a redução da verba permanecerá. Com eufemismos, disse que não houve cortes, "mas sim uma diminuição no crescimento do investimento na Educação".
O corte na Educação provocou uma agitação estudantil não vista há mais de duas décadas: os alunos da Universidade de Buenos Aires (UBA) ocuparam os edifícios da instituição, fato não registrado desde 1975. Além disso, foram bloqueadas as ruas vizinhas às diversas faculdades da UBA, causando o caos no trânsito. Simbolicamente, as barricadas foram feitas com as carteiras das salas de aula. A mobilização uniu pela primeira vez em diversos anos os estudantes e os professores, dos quais, 20% decidiram dar aulas públicas nas ruas bloqueadas.
Segundo o reitor da UBA, Oscar Schuberoff, se o corte orçamentário não for revogado, essa universidade terá que fechar as portas em outubro, já que não terá dinheiro para pagar os salários dos professores.

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