Protestos contra globalização incluem até estrume Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 14 (AE) - Um vegetariano fantasiado de vaca conduziu um caminhão até a esquina do quarteirão onde ficam as sedes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird).
Desafiando os policiais, que desde o início da semana estão cercando as duas instituições, ele despejou quatro toneladas de estrume na rua.
Foi imediatamente preso, junto com outro defensor de direitos dos animais que tentou plantar uma bandeira, criticando o consumo de carne.
O protesto de hoje foi organizado pelo grupo Povo pelo Tratamento Ético dos Animais contra o Bird. No caso, o que estava em jogo não era a falta de capacidade do banco de cumprir sua promessa de acabar com a fome no mundo. Os manifestantes querem boicotar o financiamento de projetos de agropecuária no Terceiro Mundo, para evitar o sofrimento dos animais.
A poucas quadras de lá, um manifestante vestido como o personagem Darth Vader, do filme Star Wars, reuniu um pequeno grupo para um protesto na frente da Casa Branca, contra o que interpretam como desperdício de dinheiro com gastos militares. Durante o protesto, havia mais policiais e profissionais da imprensa que manifestantes.
No domingo e na segunda-feira, a Mobilização pela Justiça Social (uma coalizão de 400 sindicatos e grupos ecológicos, estudantis e religosos) pretende colocar dez mil pessoas nas ruas para cercar as sedes do FMI e do Bird. Os manifestantes, que começaram a chegar a Washington no sábado passado, querem impedir um encontro de ministros, representando os 182 países membros das duas instituições.
Até agora, as manifestações têm sido pacíficas e apenas 17 pessoas foram presas (incluindo os dois vegetarianos). Mas já houve alguns transtornos: ruas foram bloqueadas pela polícia e prédios públicos fecharam suas portas, para reabri-las apenas na próxima terça-feira. Um dos escritórios que deixou de funcionar, justamente em vésperas do feriado de Páscoa, foi o de emissão de passaportes.
Apesar de representarem interesses dos mais variados, os integrantes da Mobilização pela Justiça Social têm algo em comum: o medo de que, com a globalização, as decisões afetando povos do mundo inteiro sejam tomadas por burocratas internacionais, que não foram eleitos nem consultam os eleitores. Apesar de serem contra o FMI e o Bird, nem todos sabem o que cada instituição faz, nem o que representa um programa de ajuste fiscal.
Por isso mesmo, os organizadores das manifestações promoveram cursos intensivos, em igrejas e universidades, sobre os efeitos da globalização e as políticas criticadas. Aqueles que não quiserem participar de uma longa discussão teórica poderão presenciar o desfile de carnaval, organizado por artistas como Ruby. No galpão onde funciona o quartel-general do manifestantes
Ruby está construindo uma máquina diabólica - o dragão do Ajuste Estrutural.
A estrutura de maderia, de três metros de altura, desfilará sobre rodas pelas ruas de Washington, devorando o povo e a natureza, e cuspindo lixo pela sua boca.
Esse será o carro-chefe do desfile de bonecos, contando a tragédia da globalização. Os três vilões são o FMI, o Bird e a OMC. "O Fundo é aquele lá", diz Ruby, apontando para um gigantesco rosto pálido, com um enorme nariz pontudo.





