Protestos contra Bird e FMI mobilizam Estados Unidos Da correspondente Monica Yanakiew
Miami, 10 (AE) - Faltam seis dias para que ocorram duas grandes manifestações contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) em Washington. Mas os protestos - convocados por uma coalizão de 400 sindicatos, organizações não-governamentais (ONGs) e grupos estudantis e religiosos - já mobilizaram milhares de pessoas no domingo e resultaram na prisão de sete pessoas hoje.
O incidente, apesar de insignificante, foi o suficiente para interromper o tráfego no centro da cidade durante 45 minutos, e preocupar os organizadores da reunião do FMI e do Bird, que anteciparam em um dia o cerco às sedes das duas instituições. O objetivo é proteger as delegações oficiais dos distúrbios.
No próximo dia 16, quando começa o encontro conjunto de ministros representando os 182 países membros do FMI e do Bird, a expectativa é que mais de 10 mil pessoas saiam às ruas, para criticar as políticas das duas instituições financeiras e também os baixos salários nas economias ricas e pobres, as regras internacionais para o comércio, a destruição do meio-ambiente e a falta de democracia na ásia.
Próxima parada - Terminando o encontro em Washington, alguns manifestantes têm planos para continuar sua campanha em Nova York. O alvo de seus protestos será o Citigroup - maior grupo financeiro norte-americano - que promoverá uma reunião na próxima terça-feira. "Vamos atacar aquilo que o Citigroup mais preza, seu bom nome", disse Erick Brownstein, líder da Rainforest Action Network, uma ONG ecológica que diz ter 25 mil membros.
O protesto de hoje foi contra os empréstimos do Bird, para financiar projetos de mineração e de exploração de petróleo e gás que, segundo os manifestantes, resultam na destruição da camada de ozônio. O grupo de 50 pessoas amanheceu em frente à sede do banco (que fica na frente do prédio do FMI) a bordo de um caminhão, bloqueando o trânsito na rua.
Dois manifestantes foram presos por agentes do serviço secreto enquanto tentavam escalar o prédio do Bird para erguer uma bandeira de protesto. Três deles foram levados pela polícia porque desobedeceram as ordens de sair do local. Outros dois tentaram impedir que o caminhão fosse removido, acorrentando seus corpos ao veículo.
Da prisão, uma das manifestantes, Liz Guy, deu uma entrevista pelo telefone para dizer que a ação (apoiada pelos ecologistas) fora bem sucedida. "Conseguimos transmitir nossa mensagem, de que o Banco Mundial precisa parar de financiar projetos de petróleo, gás e mineração", disse.
No domingo passado, uma multidão de 5.000 a 7.000 manifestantes - que reuniu desde sindicalistas e estudantes a frades franciscanos - formou uma corrente humana ao redor do Congresso norte-americano para pedir ao credores do Primeiro Mundo que sigam os ensinamentos da Bíblia. Segundo eles, antes de morrer Cristo perdoou aqueles que o crucificaram. "Não chegou a hora perdoar as dívidas de países pobres, como a Etiópia, onde 100 mil crianças morrem de diarréia a cada ano", perguntavam.
Nos próximos dias, serão realizados dezenas de eventos, que culminarão em duas grandes manifestações, coincidindo com os encontros dos ministros nas sedes do FMI e do Bird, para discutir os rumos da economia mundial. O objetivo dos manifestantes é repetir em Washington a mobilização, organizada durante a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Seattle, em novembro do ano passado. Na ocasião, 600 pessoas foram presas e o comércio local teve um prejuízo de US$ 17 milhões.
Hoje, o presidente do Bird, James Wolfensohn, admitiu que existe "muito temor em relação à globalização" e que esse medo foi refletido nas manifestações em Seattle. Mas ele insistiu que o banco está lidando com as mesmas questões sociais que preocupam os manifestantes. "Tenho 10 mil pessoas trabalhando comigo e cada dia discutimos temas relacionados à pobreza", explicou.
As críticas ao FMI e ao Bird não serão feitas apenas pelos manifestantes. Ontem, o economista Joseph Stiglitz criticou os burocratas do Fundo "que se acham mais brilhantes, mais bem educados e menos politizados que os economistas dos países que visitam" e que tomam decisões, muitas vezes equivocadas, sem levar em conta opiniões de terceiros. Stiglitz era economista-chefe do Bird até o final do ano passado. Sua renúncia coincidiu com a reunião da OMC em Seattle.





